Metalúrgicos de São José dos Campos discutem burocratização

Aproximar sindicato da base é o grande desafio do próximo períodoEstamos elegendo na base os delegados para o IX Congresso do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), que se realizará nos dias 17, 18 e 19 de agosto. Esse sindicato é um dos mais combativos do país, sendo hoje vanguarda na construção da Conlutas e na luta contra as reformas do governo. Mas há muitos defeitos que precisam ser corrigidos, e esta é a discussão mais importante a ser feita no congresso.

Maior aproximação da base
Um dos problemas é que a atividade da diretoria do sindicato, essencialmente, vai só até a porta da fábrica. Não há diretores em todas as fábricas e muitos estão afastados; há lugares em que os diretores não cumprem bem a sua função; e na maioria das empresas não existe comissão de fábrica, cipa (comissão interna para prevenção de acidentes) atuante ou grupo organizados que faça a ligação entre trabalhadores e diretoria.

Como conseqüência, há um distanciamento entre a diretoria e a base. Isso faz com que deixemos de lado problemas importantes do dia-a-dia, e que algumas vezes não consigamos combater acordos não satisfatórios para os trabalhadores. Foi o caso recente do aumento da flexibilização trabalhista na GM, com os novos turnos e a desterceirização; a assinatura de contratos coletivos que retiraram direitos em algumas fábricas pequenas e a luta contra o fechamento da LG-Phillips.

Combater a burocratização
Tal distanciamento favorece o que nós chamamos de burocratização. Há companheiros que são eleitos para defender a categoria e depois se acomodam, usando a estabilidade ou a liberação para “ficar numa boa”. Há casos de diretores que chegaram até a receber presentes dos patrões.

Em outros casos, o diretor do sindicato usa, ou tenta usar, os recursos financeiros e equipamentos do sindicato em benefício próprio. É o caso daqueles diretores que utilizam o carro ou o celular do sindicato para seu conforto pessoal, ou que querem que o sindicato lhe pague as horas em que não foram para fábrica, mas também não estavam a serviço dos trabalhadores.

Autocrítica necessária
Todos esses problemas têm como uma das suas principais origens a falta de controle da diretoria por parte da base. A responsabilidade por essa situação é da diretoria do sindicato, a começar pela sua executiva, que não deu à questão a importância necessária.

Esses problemas, se não forem corrigidos, vão acabar fazendo com que o nosso sindicato fique igual aos da CUT. Os diretores ficarão cada vez mais acomodados, achando normal usar os recursos do sindicato em benefício próprio.
Não é possível corrigir isso sem uma maior participação da base. É preciso a participação dos trabalhadores para discussão das propostas, decisão e fiscalização daquilo que foi decidido.

Superar os obstáculos
Há um setor que resiste às mudanças que estamos apenas começando. Ele se identifica na base com alguns ativistas da CUT, os chamados “verdinhos”. Essa é a prática sindical que eles desenvolvem nos sindicatos que dirigem, como os sindicato de metalúrgicos do ABC e de Taubaté, em São Paulo.

Alguns são cipeiros na GM e um há um diretor da Embraer. Eles defendem os diretores afastados da diretoria por roubo e a divisão da base metalúrgica com o Sindi-aeroespacial, da Embraer. Querem continuar realizando acordos rebaixados com a patronal, retirando direitos, e manter sua amizade com os patrões.

Por isso, chamamos os trabalhadores da base a virem ao congresso e tomarem esse desafio em suas mãos, revolucionando o sindicato e mudando totalmente a situação.

*Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

As medidas que propomos ao congresso:

1) Prioridade para a organização de base
Temos que organizar os trabalhadores nas fábricas, através das cipa’s e da eleição dos delegados sindicais e das comissões de fábrica; etc. Vamos iniciar uma campanha pela conquista de comissões de fábricas em todos os locais de trabalho. Além disso, nossa campanha salarial deste ano deve eleger um comando de negociação e mobilização para acompanhar o processo.

2) Democracia operária
A organização na base deve garantir o máximo de democracia. Toda decisão importante tem que ser aprovada em assembléia da categoria e referendada em assembléias nas portas das fábricas. A informação para a base tem que ser constante por meio da imprensa do sindicato.

3) Formação sindical e política
O sindicato precisa oferecer cursos e atividades de formação para a categoria, principalmente para os cipeiros e trabalhadores que fazem parte de comissões de fábrica e de grupos de fábrica.

4) Medidas concretas para combater os privilégios dos dirigentes
– Campanha informativa aos trabalhadores sobre o que são os sindicatos e as pressões que eles exercem sobre os dirigentes;
– Quem está na fábrica tem que trabalhar. Quem está liberado deve estar a serviço das lutas dos trabalhadores;
– Controlar os gastos do sindicato e o uso dos carros de acordo o regimento interno;
– Os diretores não podem receber nenhum presente da patronal;
– O salário dos diretores tem que ser igual ao daqueles que estão trabalhando na fábrica.

Post author Adilson dos Santos, o Índio*, de São José dos Campos (SP)
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