Metalúrgicos da Embraer param por duas horas e exigem aumento salarial e PLR maior

Trabalhadores aprovam estado de greve e dão 48 horas para empresa se pronunciarCerca de 3,5 mil metalúrgicos da Embraer paralisaram a produção por duas horas, na entrada do primeiro turno, na manhã desta quinta-feira, dia 1º. A mobilização, aprovada em assembleia, foi uma resposta dos trabalhadores ao valor da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) anunciado esta semana pela Embraer e em protesto pela falta de negociação na Campanha Salarial.

Os trabalhadores também aprovaram aviso de greve para que a empresa abra negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à Conlutas, em no máximo 48 horas. Caso contrário, prometem entrar em greve por tempo indeterminado.

Em Comunicado Interno, do dia 30 de setembro, a Embraer anunciou o pagamento de PLR de R$ 235 mais 0,10% sobre o salário base. O valor, a ser pago em 30 de outubro, refere-se ao primeiro semestre de 2009 e é o menor da região.

Este também é o menor valor pago pela Embraer nos últimos anos. Em 2008, a PLR foi de R$ 1.126,12 mais índice variável. O cálculo da PLR foi alterado no ano passado, sem aprovação do Sindicato.

A PLR é calculada com base no lucro líquido da empresa. Apenas para efeito de comparação, a General Motors vai pagar cerca de R$ 8 mil aos seus funcionários este ano. A Eaton, com apenas 500 trabalhadores, pagou R$ 2.627.

“A Embraer tem a maior jornada de trabalho e uma das menores PLR da região. Isto é uma afronta aos trabalhadores, que têm sido pressionados a manter um alto ritmo de produção para compensar a demissão dos 4.273 companheiros. Essa assembleia é o início de uma guerra contra o descaso da Embraer”, afirma o vice-presidente do Sindicato e trabalhador da Embraer, Herbert Claros da Silva.

Campanha Salarial
Na pauta de reivindicações entregue à administração da empresa logo após a assembleia, os metalúrgicos exigem a abertura imediata de negociações da Campanha Salarial. Os trabalhadores reivindicam 14,65% de reajuste salarial e antecipação da data-base de novembro para setembro, como em toda categoria metalúrgica.

Num total desrespeito aos seus funcionários, a Embraer ofereceu apenas 4,44% de reposição da inflação, sem direito a aumento real.

No primeiro semestre deste ano, a empresa teve um lucro líquido de R$ 505 milhões, com reais previsões de crescimento, com financiamentos garantidos pelo BNDES e tendo o presidente Lula como “garoto propaganda” da Embraer – embora trate-se de uma empresa privada.

“Essa foi uma paralisação de advertência que demonstra a disposição de luta dos trabalhadores da Embraer, como há muito tempo não se via. Eles estão se mirando no exemplo dos companheiros da GM, que conquistaram, após quatro dias de greve, reajuste salarial de 8,3% mais abono de R$ 1.950”, afirma o diretor Luiz Carlos Prates.

Fornecedoras continuam em greve
Os metalúrgicos da Sobraer, Sopeçaero e Peçola – todas fornecedoras da Embraer, em São José dos Campos – entraram no sétimo dia de greve, nesta quinta-feira, dia 1. Hoje, às 16h, o Sindicato dos Metalúrgicos deve se reunir com as empresas para nova rodada de negociação.

A entidade já entrou com pedido de dissídio coletivo e uma audiência de conciliação está marcada para dia 8.

Os trabalhadores reivindicam o pagamento da PLR e a antecipação da data-base do setor para o mês de setembro, unificando com o restante da categoria, e não em novembro, como defende o grupo patronal.

A Sobraer, Sopeçaero e Pesola possuem, juntas, cerca de 250 funcionários e produzem peças de fuselagem estrutural de aviões. Com a paralisação, 100% da produção está interrompida.

Os metalúrgicos do segundo turno da Embraer realizam, às 14h50, assembleia para votação sobre PLR e Campanha Salarial, repetindo a mobilização ocorrida pela manhã. A assembleia será na unidade da avenida Faria Lima.