Metalúrgicos: campanha salarial é apoiada pela CSP-Conlutas

A importante assembleia realizada na General Motors de São José dos Campos no dia 10 de agosto oficializou definitivamente a campanha salarial de 2010 dos metalúrgicos da região. A atividade contou com a presença de cerca de 4 mil trabalhadores e foi parte do Dia Nacional de Lutas, organizado pela recém-fundada CSP-Conlutas.
Os metalúrgicos da GM atrasaram a produção por 1h20, mostrando que a disposição de luta é grande. No mesmo dia houve outra mobilização dos moradores da ocupação Pinheirinho, como parte do dia de luta.

Em continuidade ao Dia Nacional de Lutas, a CSP-Conlutas realizou no dia 12 de agosto uma forte mobilização. A atividade iniciou com uma importante passeata com os trabalhadores da Embraer, atrasando a entrada em cerca de 40 minutos. Na mesma data houve um ato contra o fator previdenciário, reunindo mil pessoas. O dia terminou com outra assembleia na porta da GM. Um dia de luta que confirmou a força da CSP-Conlutas e a disposição dos metalúrgicos em arrancar conquistas nesta campanha salarial.

Com o slogan “contra quem lucra e explora, nossa hora é agora”, o bloco formado pelos sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Baixada Santista, Limeira e Campinas já realizou também dois atos públicos. Um no dia 7 de agosto em Campinas, e outro no último dia 21, em São José.

As reivindicações do bloco são 17,45% de reajuste salarial, redução de jornada para 36 horas sem redução de salário, equiparação salarial, piso salarial de acordo com o Dieese, creche, licença-maternidade de 180 dias e direito à organização no local de trabalho. Além disso, os metalúrgicos estão exigindo dos patrões e do governo Lula o fim do fator previdenciário.

Patrões não querem ceder
Se por um lado os trabalhadores estão dispostos a lutar, por outro os patrões não querem fazer nenhuma concessão.

Os empresários estão de olho no futuro e querem derrotar a concorrência enxugando gastos e ampliando o ritmo de trabalho. A demissão é uma das formas de fazer isso. A outra é contratando novos trabalhadores com pisos mais baixos.

Para se ter uma ideia, segundo o SEP – Convênio Seade – Dieese/FAT, a renda média na indústria da região metropolitana de São Paulo era de cerca de R$ 1.810 em 2000, e baixou para R$ 1.367 em 2009. Isso significa que em nove anos os trabalhadores perderam cerca de R$ 50 por ano só com defasagem do piso salarial. Por fim, o ataque passa pelo aumento infernal do ritmo de trabalho, criando um contingente de trabalhadores doentes e lesionados.

Na raiz desses ataques está o interesse em reduzir a massa salarial e fazer com que se trabalhe mais com menos trabalhadores. Embora tenham lucrado como nunca, os patrões sabem que a crise de 2008 ainda não terminou e querem a todo custo atirá-la sobre as costas dos trabalhadores.

Isso significa que os trabalhadores não podem esperar qualquer concessão dos patrões. Terão de tirá-la na luta, na organização e na unidade.

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