Metalúrgicos ameaçam com greve diante da intransigência da patronal

Os metalúrgicos de São José dos Campos, Campinas, Limeira e Santos, em campanha salarial unificada, prometem aumentar a mobilização e partir para a greve por tempo indeterminado caso não avancem as negociações com a patronal. A mobilização unificada une os sindicatos da Conlutas e Intersindical. Nesse último dia 4, quinta-feira, representantes dos trabalhadores se reuniram com a patronal na sede da Fiesp, em São Paulo. A reunião, que se estendeu por todo o dia, acabou em impasse diante da intransigência das empresas.

As montadoras propuseram reajuste real de apenas 1,80%. Aumento irrisório diante da proposta já rebaixada de 1,25% realizada no dia 2. Os metalúrgicos reivindicam a reposição da inflação e aumento real de 9,57%, além de gatilho salarial, ou seja, a reposição automática dos salários sempre que a inflação chegar a 3%. A reivindicação dos trabalhadores leva em consideração o bom momento vivido pelo setor, com aumento na produção e nos lucros.

Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), esse mês de agosto teve a maior produção do setor na história, com 314,7 mil veículos produzidos só no mês. Crescimento de 12,6% em relação ao mesmo período de 2007. Nada que justifique, portanto, a proposta rebaixada da patronal. “Sabemos que a patronal pode oferecer mais, o setor cresce e lucra como nunca. No Paraná, por exemplo, ofereceram 10% de reajuste e um abono que vai de R$ 1.500 a R$ 1600. Não é o suficiente ainda, mas mostra como é rebaixada a proposta que fazem aqui”, afirma Vivaldo Moreira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, mostrando a possibilidade de um reajuste bem maior.

Forte mobilização
Os sindicatos já deflagraram uma onda de paralisações. No dia 3, metalúrgicos da GM de São José, da Mercedes de Campinas, da Honda de Sumaré e da Toyota de Indaiatuba (região de Campinhas), cruzaram os braços por 24 horas. No decorrer da semana, trabalhadores de outras fábricas também pararam. As paralisações e as assembléias massivas demonstram a disposição dos metalúrgicos de partir para a greve por tempo indeterminado caso permaneça a intransigência da patronal.

Já os sindicatos do ABC e Taubaté, dirigidos pela CUT e Força Sindical, hesitam em mobilizar. Apesar de constituírem uma bancada de negociação separada a da Conlutas e Intersindical, é necessária a mobilização de todos os metalúrgicos a fim de conquistar as reivindicações. “A CUT não pode esperar pelas nossas conquistas para estendê-las para as suas bases, como fez na campanha salarial por meio de um acordo com a patronal, sem greves, a proposta será rebaixada”, afirmou Luiz Carlos Prates, o Mancha, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos.

Conlutas fez um chamado à CUT e Força Sindical a fim de impor uma mobilização unificada. Nesse dia 5 ocorrem novas negociações no Sinfavea, o sindicato patronal. “Caso não avancem nas propostas, vamos fazer nova avaliação nesse final de semana e o mais provável é que na segunda as fábricas já amanheçam paradas”, afirma Vivaldo.