Marina Silva e o neoliberalismo verde

Em meio à falsa polarização entre Dilma Rousseff e José Serra, a candidatura de Marina Silva (PV) se apresenta como uma suposta novidade, uma alternativa “ecológica” que tenta atingir, principalmente, um eleitorado jovem. Mas o programa de Marina não tem nenhuma novidade em relação às duas candidaturas majoritárias.

Alguns exemplos mostram o caráter conservador de sua candidatura. Marina defendeu o Banco Central no aumento da taxa de juros mais recente, o que vai elevar ainda mais a dívida pública. A candidata do PV apoiou também o veto de Lula ao fim do fator previdenciário, assim como os cortes de R$ 10 bilhões do governo para “esfriar” a economia. Além disso, a ex-petista defendeu os supostos “avanços” dos governos de FHC e Lula.

Nem em relação à ecologia Marina consegue se diferenciar. Pelo contrário, talvez seja justamente aí que sua candidatura apresenta seu caráter mais conservador. O vice de Marina é ninguém menos que um dos donos da Natura, o empresário Guilherme Leal, o 13º mais rico do país com uma fortuna acumulada de US$ 2,1 bilhões. A Natura é processada pelo Ministério Público por biopirataria no Acre.

Como se tudo isso não bastasse, Marina representa um retrocesso em relação ao combate às opressões. A candidata concedeu diversas declarações contrárias ao casamento gay ou ao direito ao aborto. Ou seja, por trás de um discurso aparentemente ecológico e progressista, sua candidatura representa o que há de mais atrasado.

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