Maré vermelha na França

A pressão social de baixo fez com que a maioria das centrais sindicais e da esquerda francesa assumisse a convocatória de greve geral que paralisou mais de um milhão de trabalhadores na França, no dia 4 de outubro.

Já é a terceira mobilização operária deste ano no país, e foi uma resposta aos ataques aos direitos trabalhistas realizados pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin, que assumiu o governo há cerca de quatro meses, em meio a uma grande crise política do governo, desencadeada após o poderoso triunfo do Não no Plebiscito da Constituição Européia.

Os manifestantes protestaram contra a política econômica e o desemprego. Também exigiram o fim dos contratos de novos empregos, que autorizam às empresas com menos de 20 trabalhadores demitirem sem encargos trabalhistas empregados contratados há menos de dois anos.

A maior manifestação foi a parisiense, da qual participaram mais de 100 mil, além de mobilizações de destaque – como as de Marselha –, que tiveram dezenas de milhares de manifestantes. Se por um lado a maior parte dos manifestantes provinha do setor público, houve grandes delegações do setor privado, particularmente aqueles em luta, como de operários das empresas Hewlett-Packard, British Airways e Peugeot-Citröen.

Luta contra a privatização
Antes mesmo da greve, umas das lutas que se desenvolveram foi a mobilização contra a privatização da estatal Société Nationale Corse-Méditerranée (SNCM), responsável pelo transporte marítimo entre a Córsega e Marselha. O auge dessa luta se deu no último 28 de setembro, quando os trabalhadores da SNCM seqüestraram um barco de passageiros e tentaram levá-lo de Marselha à Córsega. Somente a intervenção de um grupo de comando do exército pôde detê-los, em uma enorme operação com helicópteros. Essas ações geraram paralisações em solidariedade nos portos de Marselha e Bastia (Córsega), com enfrentamentos com a polícia.

Pressionados pela maré vermelha que fez tremer a França, os sindicatos anunciaram uma conferência intersindical nos próximos dias. Além disso, abriu-se uma fissura dentro do governo. Além de ter que se enfrentar com um poderoso descontentamento social, o chefe de governo tem agora que medir forças com o ministro do Interior, Nicolás Sarkozy, candidato à presidência nas eleições de 2007.

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