Manifestantes no Rio protocolam documento na ONU exigindo a retirada das tropas

Rio de Janeiro, 28 de julho de 2010, estação de trem Central do Brasil, cerca de 16 horas. Dezenas de ativistas se reúnem, megafones e panfletos em punho, manifestam seu apoio incondicional à luta dos trabalhadores e do povo haitiano.

Mesmo de longe era possível perceber que parte das bandeiras agitadas ao vento havia sido ajeitada à mão, expressando a primeira participação pública da CSP-Conlutas.

Um dos oradores, Elias José, militante do movimento negro e dirigente do Sindicato dos Metroviários destacou o seguinte em sua fala: “Temos orgulho desse ato, orgulho de nossa solidariedade ao povo haitiano, esse povo que protagonizou a única revolução vitoriosa de escravos, esse povo que construiu, nas Américas, a primeira república negra da história. Exigimos o retorno das tropas brasileiras, a retiradas das tropas da ONU, a retirada da Minustah. Não se pode admitir a ocupação militar desse país com a desculpa de ajuda humanitária”.

Do Quilombo Raça e Classe e dirigente do SEPE São Gonçalo, Deise Oliveira lembrou: “Estamos aqui a CSP-Conlutas, os estudantes da ANEL, a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre, companheiros do PSTU, do MTL, a companheira Sandra Quintela do PACS, da Rede Jubileu Sul, companheiros do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu e região, e dizemos categoricamente ao povo do Rio de Janeiro: a ocupação do Haiti é um crime. Nossa solidariedade ao povo haitiano é parte de nossa luta contra o racismo. A vitória do povo negro do Haiti é também uma vitória dos trabalhadores brasileiros, uma vitória das comunidades e dos morros do Rio. São os generais brasileiros que dizem que as tropas estão pegando experiência no Haiti para atuar nos morros do Rio. Os mortos do morro da Providencia com a ocupação do exército mostram o que isso significa. Não queremos tropas nos morros, não queremos tropas no Haiti”, concluiu.

A manifestação no Rio de Janeiro foi parte dos atos impulsionados no Brasil e no Haiti, pela retirada das tropas de ocupação do território do país caribenho.

Antes da manifestação, um grupo contando com a presença de Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ e candidato a governador do Rio de Janeiro, seu vice Miguel Malheiros, Sandra Quintela do PACS, Jubileu ; Julio Condaque do Quilombo Raça e Classe e da CSP-Conlutas; Marcelo Durão, do MST; Manuel Crispim do MTL e do Sindsprev-RJ; além do estudante Rafael Nunes, esteve no escritório da ONU no Rio de Janeiro, onde protocolaram carta ao Centro de Informações das Nações Unidas, com cópia ao Conselho de Segurança da ONU.

No documento protocolado registraram: “As forças humanitárias do exército brasileiro não estão lá para reconstruir o país, mas para ajudar a manter o grau de exploração e submissão de um povo juntamente com outros países na ‘missão Humanitária´ (MINUSTAH)”.

Na referida reunião Sandra Quintela da Rede Jubileu Sul argumentou: “A situação hoje é tão drástica, está pior que antes do terremoto, ainda mais com a militarização da ajuda humanitária” .

Presente à reunião, Cyro Garcia frisou: “Ocupam o Haiti pra impor o controle sobre a população. São milhares de mariners, as tropas de elite do mais poderoso exército do planeta, o exército dos Estados Unidos. Hoje o exército brasileiro cumpre o papel de força auxiliar das tropas norte americanas. Estão no Haiti para ajudar o imperialismo a manter suas ‘ilhas´ de mão-de-obra semi-escrava. Por isso, queremos a retirada das tropas, o fim da ocupação militar; cobramos da ONU, exigimos do Conselho de Segurança da ONU a não renovação do Mandato da Minustah. O fechamento dos portos e do aeroporto, impedindo até chegada de ajuda humanitária, demonstram a justeza do que propomos: a reconstrução do Haiti sob controle dos trabalhadores”.