Manifestantes acampam contra a transposição

Governo Lula ameaça com reintegração de posseDesde a madrugada do dia 26 diversos movimentos sociais e organizações de trabalhadores estão acampados na fazenda Mãe Rosa, no município de Cabrobó, em Pernambuco.

A ocupação é um protesto contra o projeto de transposição do rio São Francisco. No local, os batalhões de engenharia do exército deram início às obras previstas. O objetivo da mobilização é impedir o avanço das obras e retomar o território para o povo indígena Truká, que reivindica sua posse.

Cerca de 1.500 pessoas participam da ocupação, que envolve organizações como MST, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Sindipetro AL/SE, filiado à Conlutas.

Todos exigem a imediata suspensão das obras. O bispo Dom Luiz Cappio, que realizou uma greve de fome contra a transposição em 2005, esteve no acampamento e participou de uma celebração. Ele encerrou a greve de fome mediante promessa do governo federal de que liberaria recursos para a revitalização do rio. Mas isso não passou de ficção. Uma reportagem do jornal Valor Econômico mostrou que dos R$ 124 milhões prometidos para a revitalização, apenas 1,57% foram liberados.

A serviço do agronegócio
Ao contrário do que diz o governo Lula, a transposição não vai resolver os problemas do sertanejo nem acabar com o flagelo da seca no Nordeste. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA), 41 milhões de pessoas em 53% dos municípios da região correm risco de ficar sem água até 2025. Mas o estudo não aponta a transposição como solução.

Todo o projeto visa beneficiar apenas o agronegócio, que pretende utilizar as águas do rio para o cultivo de gêneros agrícolas voltados para exportação.
O Velho Chico também sofre com o desmatamento nas margens e a poluição causada pela agroindústria. Ambientalistas afirmam que a transposição poderá aniquilar os recursos naturais e a biodiversidade da região, além de aumentar o assoreamento do rio (acúmulo de areia e detritos que compromete o ecossistema).

Os manifestantes também alertam para o fato de que as obras podem se transformar facilmente em fonte de corrupção. Irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas da União, indícios de corrupção (caso da Gautama, empreiteira candidata ao segundo trecho mais caro da obra) e compra do apoio de políticos com verbas da revitalização são algumas das denúncias.

Solidariedade
O juiz da 20ª Vara Federal concedeu uma liminar de reintegração de posse da fazenda. Paira sobre a ocupação a ameaça de que o governo cumpra a ação de despejo. No dia 2 um helicóptero sobrevoou o local. Todas as entidades sindicais, sociais e estudantis devem apoiar e divulgar a ocupação em Cabrobó.

Como alternativa à transposição, os manifestantes reivindicam a revitalização do rio por meio da construção de cisternas e pequenas barragens, recuperação de poços, construção de adutoras, etc. Mas também é preciso realizar mudanças estruturais na região, com uma reforma agrária que acabe com o latifúndio e o coronelismo.

* Com a colaboração do Sindipetro de Sergipe e Alagoas

Post author Da redação*,
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