Manifestações aumentam no Recife e derrotam repressão

A segunda semana de luta contra o aumento das passagens no Recife mostrou a força dos protestos e conseguiu deter a escalada repressiva da Polícia Militar do governador Jarbas Vasconcellos (PMDB). Nos primeiros dias, cerca de 150 pessoas foram presas e outras tantas agredidas, em uma pancadaria incentivada pelo chefe das operações, o tenente-coronel Luís Meira.

A revolta da juventude e da população com as agressões fortaleceu os atos de rua e alterou esse quadro. Na quarta-feira, dia 23, quase 10 mil pessoas chegaram a se reunir nas ruas. Ao todo, foram 12 horas, impactantes. No início, a polícia achava que controlaria tudo e partiu para o ataque. Rebocou o carro de som do “Comitê de luta contra o aumento das passagens” e agrediu estudantes. Mas o dia não era deles. Os estudantes resistiram e mantiveram o protesto com um megafone e gritando palavras de ordens, como “Se a passagem não baixar, o Recife vai parar”. O clima da manifestação era outro. Policiais vagavam perdidos sem comando e diziam estar ali para “garantir o direito de manifestação dos estudantes”.

No início da tarde, a passeata se dirigiu ao Palácio do Governo, onde negociou o afastamento imediato de Luís Meira do comando das operações de rua. Em coro, os estudantes mostravam sua indignação com o truculento comandante da tropa de choque: “Meira caduco, Pinochet de Pernambuco”. Meira não foi visto mais à frente da tropa.

As entidades governistas tentaram encerrar o ato em frente à Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), mas não conseguiram. O Comitê formado durante a luta e os setores que o integram – União dos Estudantes Secundaristas, Conlute, PSTU, P-SOL, PCR, anarquistas, Conlutas, entre outros – conseguiram fazer com que o protesto seguisse adiante, em uma marcha que percorreu seis quilômetros.

Na quinta à noite, o juiz José Viana Ulisses Filho concedeu uma liminar suspendendo o aumento, mas o governo estadual conseguiu derrubá-la. Na panacéia para manter as passagens em R$ 1,65 e R$ 2,50, o governo apelou até ao futebol. Argumentou-se que a suspensão do aumento traria um prejuízo muito grande às empresas, por conta das partidas decisivas da Série B do Campeonato Brasileiro, disputadas por Náutico e Santa Cruz. Nos dois jogos, faixas contra o aumento foram vistas das arquibancadas.

A revolta no Recife continua, independentemente das decisões judiciais. Quando fechávamos esta edição, o Comitê de Luta estava reunido, discutindo os detalhes para a grande manifestação marcada para a terça-feira, dia 29, e que deve contar com a presença de diversos movimentos e categorias, como professores e sem-terra.

Para o PSTU, é fundamental apostar na continuidade das mobilizações, como única garantia de vitória, seja em relação ao fim do reajuste como pelo passe-livre. O partido participa ativamente do movimento, reafirmando a importância da luta pela estatização dos transportes e pelo combate à máfia que controla o setor em todo o país, combinando com a bandeira do Fora Todos!

Post author Da redação, com Joaquim Magalhães, do Recife (PE)
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