Manifestação no Rio protesta contra demissões e flexibilização

Ato em frente à sede da Vale exigiu estabilidade no empregoVeja as fotos do ato

A Avenida Graça Aranha, onde fica a sede da mineradora Vale, no Centro do Rio de Janeiro, foi tomada por manifestantes na tarde desse dia 11 de fevereiro. O protesto faz parte da jornada de luta contra as demissões e a retirada de direitos que ocorre entre os dias 11 e 12 de fevereiro.

Cerca de 500 manifestantes participaram do ato. Entre eles, trabalhadores da Vale nas cidades mineiras de Itabira, Congonhas e Mariana, além de metalúrgicos da Federação Democrática de Minas, filiada à Conlutas. Marcaram presença também bancários e movimentos sociais e populares do Rio.

A companhia, uma das maiores mineradoras do mundo, foi a primeira a demitir diante da crise internacional. Como se isso não bastasse, tenta agora impor a redução de metade dos salários dos trabalhadores de Minas Gerais e Espírito Santo, como pré-condição para não demitir mais.

“Temos que rechaçar essa proposta indecente da Vale, que lucrou bilhões e agora quer jogar a crise nas costas dos trabalhadores” , defendeu José Maria de Almeida, o Zé Maria, dirigente da Conlutas, que também criticou o governo Lula por se omitir diante das demissões. “Precisamos cobrar do governo medidas concretas para evitar demissões” , disse.

O representante do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancela, destacou a necessidade de retomar as estatais ao controle do povo brasileiro. Ele defendeu a reestatização da Vale, que aumentou em 40 vezes o seu valor desde a privatização, e o controle total sobre a Petrobras e os recursos naturais, não apenas sobre o Pré-Sal. Hoje a Petrobras é uma empresa que atende os interesses de seus acionistas, a maior parte formada por estrangeiros, e leiloa poços de petróleo e gás para exploração de multinacionais.

Cyro Garcia, dirigente da Oposição Bancária no estado e do PSTU, lembrou os lucros astronômicos da empresa. “A Vale lucrou mais de R$ 20 bilhões em 2007 e mais de R$ 12 bilhões só no terceiro trimestre de 2008” , lembrou. “Só com o dinheiro que ela afirma ter em caixa, daria para pagar seus funcionários por dez anos. Não há nenhuma justificativa para demissões” , afirmou.

O dirigente, porém, também criticou a CUT, que se limita a atacar os empresários que demitem, mas poupa o governo Lula. “A CUT se limita a criticar os empresários que demitem mas nada fala sobre o governo, que deixa demitir e ainda propõe flexibilização, como a redução do salário completado pelo dinheiro do FGTS”, diz, referindo-se à proposta do Planalto permitindo que funcionários que aceitem redução de salário possam sacar recursos do Fundo de Garantia para complementar a renda.

“É um absurdo, o cara vai mexer na poupança que ele próprio construiu durante anos para pagar seu salário” , criticou Garcia, que exigiu do governo a edição de uma Medida Provisória garantindo a estabilidade no emprego.

O ato também contou com a participação da CUT. No encerramento, a representante da central destacou os efeitos da crise sobre as mulheres e a importância dos atos do 8 de Março.

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