Luta recomeça na Europa

Trabalhadores protestam na França e Grécia e EspanhaO mês de setembro tem sido marcado pela retomada da luta social na Europa. Na França, Espanha e Grécia, mobilizações dos trabalhadores enfrentam os governos e seus pacotes de ajustes.

Na França, no dia 7 houve uma greve geral contra o presidente Nicolas Sarkozy e seu projeto de lei que aumenta a idade para se aposentar para a faixa de 62 a 67 anos. A medida de Sarkozy é uma resposta ao enorme déficit fiscal do país, depois que o governo despejou bilhões de euros para tentar salvar banqueiros e empresários da crise econômica.

A greve paralisou boa parte das escolas, o transporte coletivo, aeroportos e outros serviços públicos. A estimativa é de que dois milhões de manifestantes foram às ruas em todo o país.

A luta dos trabalhadores conta com o apoio da maioria dos franceses. Pesquisas mostram que pelo menos 70% da população apoiou a mobilização de 7 de setembro. No dia 15, o parlamento da França aprovou a reforma, mas enfrentou inúmeros protestos. A reforma agora será submetida ao Senado.

Os sindicatos convocaram uma nova jornada de greves e manifestações para 23 de setembro, que promete repetir o sucesso do dia 7.

Na Inglaterra também ocorreram paralisações no dia 7. O transporte em Londres foi afetado por uma greve de 24 horas do metrô. Os grevistas lutam contra a eliminação de 800 postos de trabalho. O governo britânico prepara um pacote de ajustes que poderá cortar até 25% do orçamento de todos os ministérios.

Sapatadas na Grécia
No dia 11, milhares de manifestantes ocuparam as ruas de Salônica, segunda maior cidade do país, contra as medidas de austeridade impostas aos trabalhadores gregos pelo governo social-democrata de Georges Papandreou.

“O capitalismo é que deve pagar pela crise” e “Nacionalização dos bancos” eram as palavras de ordem de muitas faixas carregadas pelos manifestantes. Um sapato foi atirado contra Papandreou pelos manifestantes, simbolizando a fúria dos gregos com o governo.

A crise econômica arrasou a Grécia. A economia do país diminuiu 1,8% no segundo trimestre. Em troca de um empréstimo de 110 bilhões de euros para evitar a quebra dos bancos credores da dívida pública grega, especialmente os alemães, franceses e ingleses, o governo grego, a mando do FMI e da União Europeia, cortou mais de 20% dos salários dos funcionários públicos, aumentou impostos e reduziu as aposentadorias.

Agora o governo quer fazer agora uma reforma privatista no sistema de saúde e realizar uma reestruturação da empresa ferroviária estatal, com cortes de salários e demissão de 40% dos funcionários.

Espanha: paralisação no dia 29
Na Espanha, o governo social-democrata de José Luis Zapatero conseguiu aprovar uma reforma trabalhista, o que significa um dos maiores ataque aos trabalhadores do país. A reforma é um presente aos empresários, pois facilita a demissão e vai aumentar o desemprego. Hoje o país convive com 4,6 milhões de desempregados, ou 20% da população ativa.

A reforma trabalhista rebaixa de 100 para 30 dias o período máximo que um desempregado pode recusar cursos de formação. Além disso, o governo realiza uma campanha de mídia tentando criminalizar os desempregados, dizendo que existem ofertas de emprego, mas que são recusadas por eles. A reforma também reduz o número de desempregados que recebem o seguro desemprego de 429 euros.

Zapatero já prepara novos ataques e agora quer atacar a previdência, elevando para 67 anos a idade mínima para aposentadoria, além de tentar acabar com a negociação coletiva.

Uma paralisação geral foi chamada para o dia 29. Segundo panfleto assinado pelas entidades Corriente Roja e Comisiones de Base (CO.BAS), entre outras, os trabalhadores devem defender a redução das horas de trabalho sem redução do salário e a redução da idade para aposentadoria. “É preciso dizer não ao FMI e à União Européia. Que os recursos para todas as medidas propostas sejam retirados dos que os têm, nacionalizando o sistema financeiro e os setores chave da economia, através de impostos progressivos sobre as grandes fortunas, os grandes depósitos bancários e as empresas com maiores lucros”, afirma.

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