Legista do caso Celso Daniel é encontrado morto

Na tarde de 12 de outubro, o perito Carlos Delmonte Printes foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo. Printes foi quem constatou sinais de tortura no prefeito petista Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002 e refutou a tese de crime comum, utilizada para abafar as investigações.

A polícia já descartou a hipótese de morte natural, pois, segundo os legistas, não foi encontrado nenhum indício de infarto ou de problema bronco-pulmonar, que eram as primeiras suspeitas de causa. Ainda não foi descoberta a causa da morte, mas a polícia suspeita de envenenamento, sob a forma de homicídio ou suicídio.

Aparentemente, o perito já sabia da possibilidade de sua morte. Dias antes, Printes entregou uma carta a sua família com instruções de como proceder em caso de sua morte. Ele pedia que seu corpo não fosse submetido à necropsia e que fosse cremado. Mesmo assim, o corpo deve ser examinado, devido às investigações.

Testemunha importante
O caso da morte do ex-prefeito Celso Daniel foi reaberto recentemente. Para os promotores de Santo André, o crime contra o ex-prefeito foi encomendado pelo empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Celso teria descoberto um esquema de corrupção na prefeitura. Um dos membros da quadrilha que seqüestrou Celso Daniel, em depoimento à nova equipe de investigação, confirmou que o Sombra seria o mandante do crime.

Em agosto, Printes disse ao Ministério Público ter sido proibido pela cúpula da Polícia Civil de comentar o caso Celso Daniel. A conclusão do legista contrariava as investigações, que diziam que o prefeito tinha sido seqüestrado e assassinado, sem tortura. Printes encontrara vários sinais de tortura e deu declarações sobre isso pouco depois da reabertura do caso, afastando a hipótese de latrocínio. Esses fatos abalaram a saúde do legista, que, segundo amigos, estava com depressão.

É uma grande “coincidência” Printes ter morrido justamente neste momento de reabertura do caso, quando iria depor em uma das CPIs. Ele era uma testemunha importante e sabia que iria ser a sétima pessoa que teve ligação com o caso a ser morta.