Juventude do PSTU: Todo apoio à greve nacional da Educação

Greves se espalham pelo país

Unir estudantes, professores e funcionários contra os ataques do governo Dilma!“É ou não é piada de salão: tem dinheiro para a Copa, mas não tem pra Educação?”. Esse era um dos vários cartazes carregados pelos estudantes que se manifestaram pelas ruas de Ouro Preto (MG), em defesa da Educação. Essa grande manifestação foi uma das expressões do apoio à greve dos professores das Instituições Federais de Ensino, que começa a sacudir o país. É uma greve histórica, que começou dia 17 de maio com muita força. Entre 59 universidades e institutos ligados ao Governo Federal, já são 46 os que aderiram à greve nacional. Além dos docentes, os funcionários já apresentam um indicativo de greve para o dia 11 de junho. Os estudantes já votaram apoio à luta dos professores em diversas universidades, além de greve estudantil em 18 delas. Estes são dados de quando fechávamos esse texto, dia 24 de maio, mas os números não paravam de crescer.

A partir desse fato, queremos falar com você, jovem brasileiro, que acredita que nosso país tem mudado nos últimos anos. Você, como a maioria da classe trabalhadora, acredita que, na esteira do crescimento econômico brasileiro dos últimos anos, a vida melhorou, com mais universidades, mais emprego e oportunidades. De fato, o crescimento econômico do último período possibilitou um clima de melhorias no país. Mas quem se beneficiou desse crescimento?

O crescimento econômico se deu à custa de um aumento brutal do ritmo de trabalho e de péssimas condições de vida. Isso é o que explica, por exemplo, as diversas greves da construção civil em todo o país. No que se refere à Educação, o crescimento econômico possibilitou uma expansão das universidades, mesmo que discreta e completamente insuficiente. E mesmo essa expansão do ensino superior, necessária à qualificação de mão-de-obra para sustentar o crescimento econômico, não foi para beneficiar os estudantes e trabalhadores da educação, ou mesmo a população em geral.

Infelizmente, essa pequena expansão não foi acompanhada do aumento de verbas suficiente. O governo hoje investe em torno de 3,9% do PIB em Educação, enquanto gasta quase 50% do Orçamento para pagamento da dívida pública, ou seja, para financiar os banqueiros, verdadeiros beneficiados pela onda de crescimento econômico. Dilma se recusa a investir 10% do PIB na educação pública, pauta histórica do movimento. Promete apenas 7% em 2020! Além disso, não pára de fazer cortes no orçamento destinado às áreas sociais: este ano, a pasta da Educação perdeu 2 bilhões de reais. É por isso que, mesmo o jovem que consegue passar pelo funil do vestibular e entrar na universidade, não tem garantida uma boa formação. Perde a juventude brasileira, mas ganham os seus futuros empregadores, que se apoiam na precarização do ensino público para pagar salários menores, não garantir boas condições de trabalho e direitos trabalhistas.

Por quais motivos lutam nossos professores?
A forte greve que estamos assistindo hoje tem como pano de fundo os cinco anos de aplicação do Reuni, um projeto que o governo Lula, com o apoio vergonhoso da UNE, passou goela abaixo de todo o movimento seis anos atrás. O governo do PT, diante de uma fortíssima mobilização contrária, com dezenas de ocupações de reitoria por todo o país, usou da falta de democracia e da repressão para aplicar sua política educacional. Esse projeto é o responsável pelas péssimas condições de trabalho e de estudo nas universidades federais, motivações da atual greve. O movimento avisou há 5 anos atrás que a expansão da universidade pública, que reivindicamos muito, se não fosse acompanhada de aumento de verbas, causaria um brutal ataque à qualidade do ensino superior. Não deu outra: o governo hoje vende expansão e entrega precarização.

Não é à toa que, em todas as grandes assembleias que definiram a paralisação das atividades, os professores falavam das péssimas condições de trabalho. Uma realidade de salários baixos, salas lotadas, falta de tempo para pesquisa e extensão, tendo que se dedicar quase que exclusivamente ao ensino. Toda essa situação também afeta o cotidiano dos estudantes, que tentam estudar em laboratórios muito limitados para o tamanho das turmas, que não têm moradia estudantil, bandejão, bolsas ou creche universitária.

O Reuni faz parte de um projeto global do imperialismo para a educação nos países periféricos. É isso mesmo: a nossa educação por aqui é comandada pelos países ricos e pelo FMI. Eles querem transformar as nossas universidades em fábricas de mão-de-obra barata e especializada, na lógica de manter o Brasil na mesma posição que ocupa hoje na divisão internacional do trabalho, a de exportador de commodities (metais, café, soja, etc…) para o mundo. Não querem que a universidade seja um centro formador de tecnologia, ciência e conhecimento a serviço dos trabalhadores e do avanço do país, rumo a uma maior independência.

No Brasil, os problemas não são exclusividade da educação
Infelizmente, não é só a educação que está mal das pernas em nosso país… Vivemos em meio a uma grande injustiça social. Enquanto existe uma “Cachoeira” de dinheiro para a corrupção, o governo só corta verba das áreas sociais. Enquanto as empreiteiras não param de ganhar dinheiro com as obras para a Copa do Mundo, a juventude e o povo pobre são expulsos de suas casas pela especulação imobiliária. O povo e a juventude não poderão assistir aos jogos de futebol nos estádios que nós mesmos estamos construindo, em virtude dos altos preços dos ingressos e da restrição da meia-entrada. Enquanto o agronegócio e o latifúndio se beneficiam da construção de Belo Monte e do novo Código Florestal, a natureza e a população só sofrem… Enfim, quem sempre se dá bem nesse país são os ricos.

O governo Dilma adora alardear por aí com orgulho a sexta posição do Brasil no ranking mundial da economia. Mas esquece de dizer que ocupamos o 84o lugar em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, que mede a qualidade de vida da população), atrás de países como a Bósnia, Líbano e de nossos vizinhos Chile e Argentina. E esquece também que ocupamos a 88ª posição no ranking da UNESCO sobre educação, com uma taxa de 10% de analfabetismo, fora os 30% de analfabetos funcionais.

Se a nossa educação não tem qualidade em um momento de crescimento econômico, podemos imaginar o que ocorrerá se a tendência à desaceleração de nossa economia permanecer. O Banco Central aponta crescimento de apenas 0,15% no primeiro trimestre desse ano, ou seja, praticamente crescimento zero. Temos que nos preparar para que as consequências da crise econômica mundial, chegando com peso ao Brasil, não sejam todas despejadas nas costas dos trabalhadores e da juventude. Isso é o que a burguesia vem tentando fazer na Europa. Mas não sem resistência.

Aqui e no mundo, a juventude mostra o caminho
Na Espanha, no dia 22, cerca de 100 mil pessoas foram às ruas contra os cortes no orçamento da educação e votaram greve nacional geral da educação, que abarca todos os níveis de ensino. No dia 15 de maio, os indignados espanhóis já haviam voltado à Praça Porta do Sol para comemorar o aniversário de 1 ano do movimento 15M e mostrar que os trabalhadores e a juventude europeia não vão aceitar sofrer as consequências de uma crise que não é de sua responsabilidade. No dia 19 de maio, foi a vez dos alemães. Em uma manifestação em Frankfurt, chamada pelo “Blockupy”, uma vertente dos indignados, foram 400 detidos apenas por lutarem contra a política econômica europeia e as entidades financeiras. Ou seja, os jovens da Europa, lutando contra os efeitos da crise econômica e os chamados planos de ajuste aplicados pelos governos europeus e orquestrados pela Troika (FMI, Banco Central Europeu e União Europeia), não se intimidam com a repressão e não param de se manifestar.

E não é só na Europa que encontramos exemplos de luta e disposição da juventude. Exemplos ao redor do mundo não faltam. A juventude do Oriente Médio e norte da África foi uma grande aliada dos trabalhadores na heroica derrubada de ditaduras da região. No Chile, na última quarta feira, cerca de 100 mil estudantes tomaram as ruas de Santiago, contra os planos de precarização e privatização do ensino, em uma luta que já dura mais de 1 ano. E por aqui, já estamos assistindo a maior greve dos docentes da educação superior nos últimos 10 anos, com amplo apoio dos estudantes.

Expansão com qualidade só com 10% do PIB
Os jovens de todo o mundo mostram o caminho: só com muita luta conseguiremos resistir aos duros ataques que estão sendo promovidos. E os jovens não estão sozinhos. Nós, da juventude do PSTU, estamos permanentemente ao lado dos trabalhadores da educação e de toda a classe trabalhadora do país e do mundo, que se levantam contra as injustiças do capitalismo, pois temos a convicção de que só assim os jovens podem resolver seus problemas. Com ampla unidade entre os estudantes e trabalhadores poderemos ser vitoriosos na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Defendemos a estatização do ensino privado, o fim do vestibular e o investimento de 10% do PIB para a educação pública, além da democratização das universidades para que elas sejam controladas pelos que nelas estudam e trabalham. Enfim, por uma educação que atenda aos interesses da juventude e da classe trabalhadora, e não das empresas. Uma educação que sirva à construção de um mundo melhor, mais justo e igualitário. É isso o que a juventude do mundo inteiro merece. E é isso que conquistaremos com a nossa luta.