Justiça determina prazo para Volks reintegrar Rogerinho

Foram 55 dias de acampamento na portaria da fábrica da Volkswagen no ABC paulista, enfrentando sol forte, chuva e frio. Tantas dificuldades não foram em vão – foi divulgada no último dia 10 a sentença de um dos processos dos dois diretores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, membros da Oposição/Conlutas, que foram arbitrariamente demitidos em fevereiro.

A Justiça reconheceu a garantia no emprego de Rogério Romancini, anulou sua demissão e determinou que a Volkswagen reintegre o metalúrgico ao local de trabalho até o dia 20 de maio. A sentença ainda determina que Volks terá que pagar todos os dias que Rogério ficou fora da fábrica.

A empresa deve recorrer, mas isso não vai apagar a importante vitória de todos os que em momento algum deixaram de acreditar na luta pela livre organização.

A ampla campanha exigindo a readmissão foi fundamental para que a Justiça determinasse a sentença. A realização de quatro protestos na fábrica do ABC, com a presença de deputados federais e estaduais, dezenas de dirigentes e organizações sindicais, e as centenas de mensagens enviadas por sindicatos exigindo a reintegração foram muito importantes. Além do ABC, foram realizados atos na fábrica da Volks em Resende (RJ).

O empenho da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores) na campanha internacional foi crucial para atingir Europa e América Latina. O apoio dos partidos de esquerda (PSTU, PSOL, POR) e a clara solidariedade dos trabalhadores do chão de fábrica, da Conlutas e de seus advogados também foram fundamentais.

Mas é preciso seguir com a campanha. Além do provável recurso da Volks, ainda não foi julgado o processo do outro diretor, Luiz Carlos da Silva, o “Biro-Biro”. Em todo o Brasil, entidades e trabalhadores continuam realizando atos de solidariedade, divulgando cartazes e enviando moções. No dia 18, Luiz Carlos e Rogerinho embarcariam para a Alemanha com o objetivo de denunciar as demissões e prosseguir com a campanha pela reintegração.

Papelão do sindicato
A atuação lamentável ficou por conta da executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em nenhum momento a direção da entidade se envolveu na campanha para que os diretores do próprio sindicato voltassem a exercer suas funções.

Ficou claro que a direção do sindicato joga às cobras aqueles que não partilham de sua posição política. O presidente da entidade, José Lopez Feijóo, recentemente participou de uma assembléia de metroviários para prestar solidariedade à categoria, falou sobre as demissões dos diretores do Metrô de São Paulo, mas não disse uma palavra sobre os metalúrgicos demitidos na Volks.

A atitude de Feijóo contrasta com a de muitos metalúrgicos que comemoraram a conquista, distribuindo cópias da sentença no interior da fábrica.

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