Inflação é armadilha da burguesia para aumentar seus lucros

Aumento recorde do petróleo agrava a crisePara FMI, Banco Mundial e governos, a crise global dos alimentos é resultado do aumento do consumo. O presidente Lula chegou a dizer que essa seria uma “inflação boa”. Segundo eles, o crescimento econômico dos últimos anos teria aumentado o consumo.

Com a procura acima da oferta, os preços teriam subido. De acordo com essa teoria, os grandes responsáveis pelo aumento do preço dos alimentos seriam principalmente China e Índia, cuja população teria passado a consumir mais.

Esse argumento ressuscita a teoria malthusiana (elaborada por Thomas Robert Malthus), segundo a qual o crescimento da população mundial não seria acompanhado pelo aumento da produção de alimentos. É verdade que cresceu a procura por matéria-prima, que vai do aço aos alimentos, resultado do ciclo de crescimento. Mas só isso não explica a inflação.

O próprio caráter da economia globalizada generaliza o aumento dos preços. O preço dos produtos agrícolas, por exemplo, é determinado nas bolsas do mercado financeiro. Se há variação do dólar, o preço da soja pode subir em todo o mundo. Ou seja, os trabalhadores brasileiros são afetados pelo que ocorre na bolsa de Nova Iorque.

Além disso, áreas agricultáveis cada vez mais extensas estão sendo dedicadas à produção de biocombustível. Em época de aumento recorde do preço do petróleo e previsão de sua falta, é mais lucrativo investir em etanol do que em alimentos.
Uma outra razão para a alta mundial dos alimentos, no entanto, não tem a ver com o crescimento econômico, mas com a crise.

Petróleo e especulação
A inflação dos alimentos é o primeiro reflexo mundial da crise econômica. Com a queda do mercado imobiliário norte-americano e a baixa do dólar, investidores foram para outro mercado. Agora eles querem as chamadas “commoditties”, ou seja, matérias-primas para exportação.

Segundo o economista C. Philbrook, “as taxas de lucros aumentaram a liquidez e levaram a que a especulação, especialmente nos mercados de commodities, crescesse exponencialmente”. E que produtos são esses? Na era da globalização capitalista, eles vão de alimentos como o arroz e o trigo ao petróleo.

A matéria-prima dos combustíveis vem subindo muito. Há cinco anos, o barril de petróleo não passava de 30 dólares. No final de junho, ultrapassou 140 dólares, fato inédito. Analistas acreditam que em poucos meses o barril vai superar os 200 dólares.

A alta do petróleo vem provocando protestos em todo o mundo. Caminhoneiros da Espanha, do Chile, de Portugal, da Colômbia, da Itália e de outros países realizam greves contra a alta do combustível, o que para eles significa maior custo de trabalho. Pescadores da França e trabalhadores dos Emirados Árabes e do Vietnã também se mobilizam.

Como um efeito bumerangue, a alta do petróleo faz subir ainda mais o preço dos alimentos. Grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura vem do petróleo. A alta do produto também inflaciona o transporte, encarecendo ainda mais o preço final dos alimentos.

“Começou uma nova fase da crise: os especuladores se refugiaram nos mercados de matérias-primas para se ressarcirem das perdas”, afirma o analista colombiano Aurélio Suárez Montoya.

Isso não é tudo. Após a crise da inflação, anuncia-se no horizonte uma crise de superprodução. Mais um motivo para os trabalhadores começarem a se organizar.

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