Indignados com a corrupção no governo, músicos desabafam em Belém

No início da década de 90, com o escândalo dos ‘Anões do Orçamento’, os Paralamas do Sucesso lançaram a música “Luis Inácio (os 300 picaretas)”. A canção foi claramente inspirada em Lula, que havia denunciado a corrupção de parlamentares que controlavam o orçamento da União e dito que havia pelos menos 300 picaretas no Congresso. Agora, é o governo do mesmo Luis Inácio que comanda as alianças com a burguesia, loteando cargos, ministérios, verbas e, com a ajuda de Delúbio e cia, mantendo o esquema do mensalão.

Foi em resposta a esse clima de escancarada corrupção que várias bandas, ao participarem do Fest Rock, em Belém, aproveitaram a ocasião para criticar o governo Lula. Os Paralamas voltaram a tocar Luis Inácio, para delírio do público. O Skank veio com a música ‘Indignação’, feita no início dos anos 90. Cidade Negra e Biquíni Cavadão também soltaram o verbo e foram ovacionados por cerca de 20 mil pessoas.

Infelizmente, anos depois da polêmica canção dos Paralamas, nada mudou. O Congresso Nacional ainda continua a serviço dos coronéis, porém, hoje, abriga bem mais que 300 picaretas. São políticos, assessores, secretários e parentes de parlamentares que, com ou sem anéis de doutor, envolvem-se em todo tipo de corrupção e desmandos em busca de vantagens políticas e financeiras. Grande parte daqueles que atualmente ocupam as cadeiras do Congresso fazem de tudo, exceto o que esperavam seus eleitores. O PT neoliberal é responsável pela decepção de muita gente que confiava em uma mudança a favor da maioria.

O governo petista mostrou que, ao se aliar com a burguesia, deixará apenas as migalhas que caem de suas mesas que o povo terá de se contentar. Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, há 20 anos eleitor do PT, disse que sua esperança foi destruída. “Talvez um dia ainda tenhamos governantes que transformem este país”, disse. Mais do que esperar por salvadores, é preciso aprender que só a luta muda a vida e a saída está na luta da classe trabalhadora frente aos interesses capitalistas.

O motor da opressão, que estanca o raciocínio das massas, está ligado mas a liberdade pulsa em cada manifestação. O Fest Rock foi apenas um mostra, “que reflete na verdade o sentimento da nação”.