Haiti: terra arrasada

Soldado argentino vigia fila para distribuição de ajuda humanitária

Nos dias 18 e 19 de setembro, o furacão Jeanne arrasou o Haiti, deixando cerca de 1.500 mortos e 900 desaparecidos, segundo estimativas da ONU. Gonaives, a 110 km de Porto Príncipe, foi a mais atingida. A cidade ficou totalmente inundada e coberta de lama. Não há comida nem água potável, os cadáveres apodrecem a céu aberto, os feridos não recebem atendimento médico e as doenças como diarréia, gangrenas e infecções se generalizam.

A população trava uma luta desesperada para sobreviver. A ajuda humanitária da ONU não é suficiente. Para poder comer ao menos uma vez por dia as pessoas são obrigados a saquear os poucos lugares onde ainda resta alguma comida. Ao invés de enviar mais alimentos, médicos e remédios, a ONU critica a população por “roubar” comida. E os soldados brasileiros enviados por Lula estão fazendo o trabalho sujo, ajudando a reprimir os saques e colaborando, assim, para que as pessoas morram de fome.

Quando os furacões atingem os países mais pobres, como o Haiti, provocam estragos ainda maiores, pela falta de assistência à população. No sul dos EUA, área também bastante atingida por furacões, a história é outra. Como é um país mais rico, lá os desastres naturais não causam a mesma devastação. O furacão Ivan, por exemplo, apesar de ser mais forte que o Jeanne vitimou cerca de 30 pessoas.

O tamanho da desgraça no Haiti tem de ser atribuído aos sucessivos governos que administraram o país e à política do imperialismo. Esses são os verdadeiros saqueadores do pouco que resta no território haitiano, e não os pobres miseráveis que lutam por comida.

Os trabalhadores de todo o mundo precisam solidarizar-se com o povo haitiano que, com sua luta, é o único que poderá tomar as rédeas do país para resgatar sua soberania e vencer a fome.
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