Haiti: seis meses após o terremoto não há reconstrução. É preciso intensificar a luta pelo fim da ocupação!

No dia 28 de julho ocorrem manifestações no Haiti e em várias partes do Brasil contra a ocupação militarHá seis meses, o mundo assistia estarrecido à destruição de parte do Haiti em decorrência de um grave terremoto. Hoje, a situação ainda é muito precária. A população sofre nas ruas. Faltam condições mínimas de sobrevivência. As forças humanitárias do exército brasileiro não estão lá para reconstruir o país, mas para ajudar a manter o grau de exploração e submissão de um povo. A população pede o fim da ocupação. No dia 28 sairão às ruas para exigi-la. Vamos nos somar a essa luta e denunciar o papel do governo Lula.

O Haiti é um dos países mais pobres do mundo. A população é composta majoritariamente por negros. Falta água. Não há redes de esgotos e o sistema de saneamento é precário. O governo Rene Preval é sustentado politicamente pelas forças armadas brasileiras, que ocuparam o território em 2004. Mas a história de ataques e ocupações no país é longa, data de 1915, quando houve a primeira ocupação Yanque. Explica-se tamanha intervenção, entre outros, por ser um grande espaço para exploração de mão-de-obra barata. Para se ter um idéia, hoje, o salário mínimo equivale a R$ 250.

Em 12 de janeiro de 2010, o terremoto que se abateu sobre o país, destruindo casas, espaços públicos e deixando milhões de pessoas desabrigadas e mortas, escancarou a destruição de uma população: em parte pela tragédia natural, mas principalmente pela ingerência das forças imperialistas, que negaram aos haitianos a possibilidade de decidir os rumos de seu país.

Decorrido o tempo, é preciso dizer: o processo de reconstrução não se deu. Segundo dados dos organismos internacionais, cerca de 1,5 milhão de pessoas ficaram desabrigadas em decorrência da tragédia. Dessas, apenas 25 mil conseguiram casas. O restante continua nas ruas, em barracas de lona, em meio aos entulhos e ao lixo produzido pelos escombros. Vale ressaltar que os escombros geraram 20 milhões de metros cúbicos de entulho, sendo que nem 10% do total foram recolhidos até o momento.

Os dados do governo haitiano indicam que seriam necessários US$ 11,5 bilhões e seis anos para reconstruir o país. Até o momento, foram arrecadados US$ 5 bilhões. Interessante é notar que esse valor é bem menor do que os capitalistas arrecadaram em poucos meses para salvar os bancos e as grandes empresas, na crise de em 2009, ou seja, US$ 24 trilhões.

O Brasil e a Venezuela foram os únicos a contribuírem. Mas o gasto do governo Lula com as tropas é muito maior do que a ajuda para a reconstrução. Gasta-se com armas e soldados, enquanto as crianças, as mulheres e a população pobre permanecem nas ruas, sem casa, sem saneamento, com falta de água e sem qualquer assistência do Estado, que é absolutamente ausente. Os acampamentos são organizados e mantidos pelos próprios moradores.

Uma delegação da Conlutas esteve no Haiti, há poucos meses atrás, para dar continuidade à campanha de solidariedade desenvolvida pela em conjunto com o Jubilieu e outras organizações. Na ocasião, foram entregues cerca de R$ 200 mil à organização sindical Batay Ouvrie, fruto de uma arrecadação nas bases das entidades filiadas. Ainda, foi constatada a situação dramática da população, que em meios aos escombros buscam resgatar o pouco que lhes restou.

O governo brasileiro deveria retirar os soldados e enviar pedreiros, médicos, enfermeiros, engenheiros ou outros civis que pudessem ajudar o país, de acordo com a decisão e a necessidade dos trabalhadores haitianos. Mas não o faz porque não interessa. Precisa ajudar o imperialismo a manter suas “ilhas”de mão-de-obra semi-escrava.

A população, apesar das dificuldades, não assiste passivamente. O aprofundamento da experiência com o presidente René Preval e com as forças armadas brasileiras que o sustentam, bem como, a falta de condições e a indiferença capitalista com a reconstrução do país têm promovido mobilizações e protestos.

No dia 28 de julho de 2010 ocorrerá uma grande manifestação no Haiti pela retirada das tropas, em alusão ao ano de 1915, quando houve a primeira ocupação yanque. Aqui, no Brasil, vamos nos somar a essas atividades. Construiremos manifestações em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, denunciando o papel do governo Lula na ocupação militar do Haiti. Mas queremos convocar a todas as entidades para que lembrem a data em vossos meios de comunicação e que, na medida do possível, organizem atividades de protestos. Afinal, a luta do povo haitiano é também a nossa luta!

  • Pela retirada das tropas brasileiras do Haiti;
  • Fim da ocupação militar;
  • Pela reconstrução do Haiti sob o controle dos trabalhadores.