Greve nacional reafirma FNP como alternativa de direção dos petroleiros

Em meio a uma campanha de defesa do “Monopólio Estatal do Petróleo e Petrobras 100% estatal”, em que a direção da Frente Única dos Petroleiros (FUP) e várias entidades do comitê organizativo aceitaram rebaixar nossas bandeiras históricas, e de uma total paralisia da direção da FUP para garantir o marco regulatório do governo Lula, os petroleiros da Petrobras e demais petroleiras tiveram uma boa notícia.

Os petroleiros das bases dos sindicatos ligados à Frente Nacional dos Petroleiros realizaram dois dias de uma greve nacional, demonstrando que a FNP se afirma como uma alternativa de direção para os trabalhadores que têm disposição de realizar lutas e greves. Ainda por cima, arrancou sua primeira vitória: a Petrobras foi obrigada a chamar, em regime de urgência, uma nova negociação com os sindicatos.

Nas bases das FUP, a indignação é grande. A direção está sendo questionada em Campinas, Baueri, Cabiúnas (Macaé) e Betim.

No Rio Grande do Norte, as assembleias do sindicato saudaram a greve da FNP e exigiram uma reunião unificada entre a FUP e a FNP e a marcação de uma greve geral de todo sistema petroleiro. Um exemplo que deve ser seguido em outras bases da federação.

Os petroleiros demonstram novamente que somente a mobilização dos trabalhadores pode arrancar alguma coisa dos patrões e somente se ela for forte será boa a sua conquista. Particularmente, num momento em que o governo Lula diz que a Petrobras esta ficando mais forte, capitaliza a empresa, dando bilhões para os investidores e coloca comerciais na televisão afirmando que esta é a empresa que sustenta o país.

Preparar uma grande mobilização nacional
Frente à marcação da reunião de negociação, as bases da FNP suspenderam a greve, mas se mantêm em estado de greve até a nova negociação e chamam a direção da FUP a romper com seu imobilismo governista, sair das negociações de gabinete em Brasília e vir para base organizar a campanha salarial e a greve nacional de toda categoria.

Direção da FUP paralisada
A paralisia da direção da FUP pode ser explicada pelo empenho que ela está colocando para aprovar os Projeto de Lei do governo Lula. Por isso, seus dirigentes abandonaram a campanha salarial e foram para Brasília. Com esta política, o Conselho Deliberativo da FUP votou a rejeição da proposta, mas não construiu nenhum calendário de mobilização e não aceitou o chamado de unidade petroleira da FNP.

A FNP propõe que os petroleiros das bases da FUP cobrem sua direção para que atendam ao chamado da FNP por uma mesa única de negociação e que seja aprovando um calendário unificado de mobilização, incorporando-se à greve da categoria.

Observando as outras categorias em suas lutas e vitórias salariais, os petroleiros também têm uma tarefa importante a cumprir em período de acordo coletivo: garantir as reposições, aumento real de salário e a manutenção de direitos conquistados historicamente.

Greve dos petroleiros da FNP foi muito forte
Mesmo com a atitude divisionista da direção da FUP, a FNP mostrou que esta disposta a lutar. Foram dois dias de uma greve nacional, com corte de produção, piquetes, mobilizações e enfrentamentos. Os lugares mais avançados da greve foram o Litoral Paulista e Sergipe.

No Litoral Paulista, a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC), parou 100% da operação e 70% do administrativo. O Terminal Alemoa, 100% dos trabalhadores da operação, administrativo e terceirizados. No Terminal de São Sebastião, 100% da operação e 85% do administrativo estão em greve.

Em Sergipe, na Sede, a adesão foi de 70% da categoria. Em Carmópolis, 80% em greve. Na FAFEN, 100% de paralisação (turno, administrativo e terceirizados). No Tecarmo, adesão de 75%, corte na rendição do turno e adesão dos petroleiros terceirizados; e para ajudar Os petroleiros da Prest Perfuração deflagraram greve por tempo indeterminado, com corte de rendição em nove sondas de produção.

Em São José dos Campos, houve corte de rendição à meia-noite e às 7h do dia 16 de outubro. Houve adesão dos trabalhadores do administrativo. No Rio de Janeiro: realização de “trancaço” no EDISE e paralisação dia 15 no TABG.

Na Transpetro São Luis (MA), 90% de greve, na do Pará, 70%. No Administrativo Belém, 70% e no administrativo de Manaus, 60%. No Rio Grande do Sul, teve atraso de uma hora. Em Furado e Pilar (AL), atraso de uma hora e meia, e na Transpetro (AL), atraso de uma hora.

Assembleias do Rio Grande do Norte aprovam unidade
Os petroleiros do Rio Grande do Note enviaram um comunicado à direção da FUP. Eles realizaram assembleias durante toda a semana de 12 a 16 de outubro em que deliberaram pela rejeição da proposta apresentada pela Petrobras e apoio à greve dos petroleiros nas bases da FNP.

Também aprovaram a convocação “de uma reunião entre a direção da FUP e da FNP (…) e empreender todos os esforços políticos no sentido da unificação do calendário de lutas visando a unidade de ação com greve geral no Sistema Petrobras a partir de 00h00 (zero hora) do dia 22 de outubro de 2009” e, por fim, “mesa de negociações unificada”. Este é um exemplo que tem de ser seguido pelas demais bases petroleiras filiadas a FUP.

O QUE QUEREM OS PETROLEIROS

  • Reposição das perdas do período (INPC de 4,44%) mais ganho real de 10%; reposição das perdas de 1994 até agora (cerca de 23%)
  • AMS – Inclusão dos pais no plano e melhoria de qualidade; licença-maternidade de 180 dias e paternidade de 30 dias
  • PLR máxima sem negociação de metas
  • Fim da remuneração variável
  • Pagamento do extraturno/dobradinha nos feriados
  • Plano BD para todos
  • Cancelamento de todas as punições e dos interditos proibitórios
  • Fim das discriminações com os aposentados e demais trabalhadores

    E mais:

  • O petróleo tem que ser nosso! Por uma Petrobras 100% estatal
  • Pela revogação da Lei 9.478/97 de FHC
  • Contra a criação de uma nova empresa estatal
  • Pela redução da jornada de trabalho

    Américo Gomes é assessor do Sindipetro-AL/SE