Greve na Mitsubishi da Venezuela começou após 135 demissões

Trabalhadores ocuparam a empresa para exigir readmissão de terceirizadosA ocupação da planta da Mitsubishi Motors (MMC), no estado de Anzoátegui, que culminou na morte de dois trabalhadores, é um reflexo da crise econômica na Venezuela e no setor automotivo. A MMC produz veículos Mitsubishi e Hyundai. Em novembro de 2008, a empresa foi uma das primeiras a demitir por conta da crise, anunciando o corte de 1.100 funcionários no Japão.

As demissões se estenderam pelo mundo e chegaram até a Venezuela, ignorando o fato do país viver o “socialismo”, como apregoa Chávez. No dia 22 de janeiro, 135 trabalhadores de uma das empresas terceirizadas foram demitidos, mesmo tendo estabilidade. Como no Brasil, os trabalhadores das autopeças e das empresas terceirizadas estão entre os que sentem primeiro o impacto da crise, através de demissões.

Como a Mitsubishi (MMC) não reconhece a relação trabalhista com os terceirizados, recusou-se a negociar com o sindicato. Tampouco as autoridades do Trabalho no estado de Anzoátegui ofereceram soluções para este e outros problemas. Eles reclamam que a empresa viola sistematicamente a convenção coletiva e que não cumpre as normas de segurança, provocando doenças do trabalho em muitos operários, que sofrem com dores na coluna e musculares.

Diante desse cenário, os trabalhadores, em uma assembléia massiva, decidiram ocupar a planta da empresa, até que os trabalhadores terceirizados fossem readmitidos. Foram 863 votos a favor da ocupação, 21 contrários e 4 abstenções. Além dos trabalhadores da MMC e dos terceirizados, a ocupação contou com a solidariedade de trabalhadores de outras empresas, como Pedro Suárez, da empresa de autopeças Macusa, e que acabou assassinado pelos policiais, ao lado de Jose Marcano, operário da Mitsubishi.

Até a noite desta sexta-feira, os trabalhadores continuavam ocupando a empresa. A polícia foi retirada e substituída pela Guarda Nacional.

Com informações de Aporrea.org e da Venezolana Televisión