Greve forte nos bancos públicos contagia privados

Nem mesmo a crise financeira tirou o ânimo dos bancários para a greve que começou no último dia 30. No dia 8, quarta-feira, deu um salto e tornou-se uma greve geral e nacional da categoria.

A greve está muito forte nos bancos públicos, principalmente na Caixa Econômica Federal (CEF). A força da greve está contagiando os bancos privados, principalmente em São Paulo (SP), onde há maior concentração destes bancos. Os bancários estão pedindo aos grevistas que ajudem a fechar suas agências.

Muitos estão aderindo aos piquetes. Isso é diferente das greves anteriores, quando esperavam o piquete ir embora para entrar e trabalhar. Com isso, a greve começa a ganhar novos contornos e pode se tornar uma das maiores greves desde os anos 1980.

Rio de Janeiro retoma a greve com força
No Rio, a greve foi retomada depois da traição do sindicato, que desmontou a paralisação do último dia 1°. Na ocasião, o sindicato chegou a convidar os fura-greve para participar da assembléia e defendeu, junto com eles, a suspensão da greve.

A greve está muito forte na CEF, embora haja alguns problemas no Banco do Brasil (BB). Nos bancos privados, os trabalhadores aderem com facilidade. Porém não há piqueteiros suficientes para fechar os bancos.

O sindicato está concentrando as ações no centro da cidade. Os bancários não estão comparecendo nos locais de trabalho. Na assembléia do dia 7, foram aprovadas as seguintes propostas: desautorização da Contraf/CUT para assinar qualquer acordo que não garanta o abono dos dias parados a todos os bancários em greve desde o dia 30; que as assembléias são organizativas até que surjam propostas, com um dia para a categoria discutir a proposta específica; realização de ato no domingo, dia 12, em frente ao Teatro Municipal do Rio, quando acontece a festa de 200 anos do BB; e eleição de um comando paritário entre o sindicato e a oposição para condução do movimento.

São Paulo tem greve forte na CEF
A CEF é a vanguarda da greve, com muitas unidades fechando sozinhas. É uma greve mais forte do que no ano passado. Já no BB, existe uma greve parcial que pode crescer mais, dependendo do aumento dos piquetes.

Nos bancos privados, há muita disposição em parar, mas não há piquetes na maioria dos locais, que ficam abandonados com cartazes e adesivos de greve, mas sem nenhuma mobilização.

Na assembléia do dia 8, foram aprovadas duas propostas importantes, como a realização de um ato na porta da Bolsa de Valores, que vai cobrar dinheiro para os bancários e não para os banqueiros, além da participação no ato do dia 12 no Rio de Janeiro. Também serão discutidos e votados, no dia 13, a eleição de representante de base para participar das negociações.

Ceará: greve forte, passeata e ato público
A assembléia do dia 8, em Fortaleza (CE), aprovou uma passeata pelas ruas da capital no próximo dia 10. A concentração será a partir das 15h na Praça do Ferreira e vai se dirigir ao sindicato.

Para a segunda feira, dia 13, foi decidida a realização de um ato em frente à superintendência do Banco do Brasil (BB). A idéia é fazer o protesto na comemoração dos 200 anos do banco.

Todos se vestirão de preto e levarão o caneco que o diretor Luis Oswaldo deu para cada empregado como presente pelos 200 anos. O ato acontece a partir das 11h da manhã.

Outras cidades
A assembléia que deflagrou a greve em Santos, no litoral paulista, tinha cerca de 150 bancários, o que significou uma boa presença. Atingiu com força a CEF e, parcialmente, o BB.

No Rio Grande do Norte, a greve atingiu o pico esta semana. Em Natal estão fechadas todas as agências dos bancos públicos, à exceção de uma agência do BB que está parcialmente funcionando. Os bancos privados estão parando todos os dias.
No interior, a CEF está com 100% de paralisação e o BB com 50%.

Em Brasília, desde o dia 8, a greve que já estava forte teve uma adesão ainda maior. No BB, há forte paralisação nas agências.

Federação do Rio Grande do Sul consegue liminar que fortalece a greve
A Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul conseguiu uma liminar inédita no movimento. A liminar autoriza os piquetes para convencimento da categoria de participação na greve.

Assembléias aprovam negociação dos dias parados
As assembléias do Rio Grande do Norte, Bauru e Ceará já aprovaram uma resolução de que não pode haver negociação de nenhuma proposta que não contenha a não-punição aos grevistas por conta dos dias parados. No Rio de Janeiro, essa proposta foi aprovada na assembléia do último dia 7.

É muito importante que todos os estados aprovem essa proposta para pressionar o Comando Nacional a negociar os dias parados, principalmente para os que estão em greve desde o dia 30. Sempre é bom lembrar que, em 2007, a Contraf/CUT fechou acordo de abono só dos dias da greve que eles controlaram, deixando fora do acordo o pessoal que havia começado dias antes.

A categoria deve se unir e não deixar que a CUT negocie um acordo que prejudica o pessoal que mais faz greve, só porque parte da categoria não aceitou esperar o calendário do Comando Nacional.

Veja o texto da assessoria jurídica da FEEB/RS que expõe o conteúdo da liminar do Rio Grande do Sul:

Prezados Diretores da FEEB/RS

A liminar em anexo garante a permanência dos sindicalistas na frente das agências bancárias de todo o Estado, com o objetivo de aliciar pacificamente os colegas a não comprarecerem ao trabalho.

Permite também, que os sindicalistas entrem pacificamente dentro das agências com o objetivo de convencer os colegas que estão trabalhando, a aderirem a greve. Também autoriza a utilização de carros-de-som desde que dentro dos limites de decibéis permitidos pela Lei Municipal.

Nas localidades em que haja dificuldade em fazer cumprir esta liminar, sugere-se que o/a representante legal da entidade vá até a Justiça do Trabalho local, para pedir ao Juiz ou Diretor solicite da 5ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, o envio, com urgência de cópia da liminar deferida, para que o Oficial de Justiça do município execute a Ordem Judicial, proferida no processo 01130-2008-005-04-00-5, que tem âmbito Estadual.

Saudações,
Milton Fagundes (advogado e assessor jurídico FEEB/RS)