Governo quer usar FGTS para reduzir salários

Com a medida, os próprios trabalhadores pagarão para trabalharAo mesmo tempo em que anuncia com o alarde a extensão do seguro-desemprego para alguns setores atingidos pela crise, o governo revela também sua intenção de utilizar parte do FGTS para permitir que os empresários reduzam salários. O ministro do Trabalho Carlos Lupi revelou que, entre as medidas estudadas pelo governo para enfrentar a crise, está a possibilidade de o trabalhador sacar parte de seu Fundo de Garantia parar compensar uma eventual redução salarial.

O FGTS foi criado em 1967 para substituir a estabilidade no emprego. Pela lei, ele pertence exclusivamente ao trabalhador, que pode sacá-lo em determinados momentos, como na compra da casa própria. Com a medida, o governo quer utilizar os próprios recursos dos trabalhadores para financiar a redução dos salários por parte dos empresários.

Uma reunião no último dia 10 envolveu ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Secretário Geral da Presidência Luiz Dulci e o próprio ministro do Trabalho. A proposta de utilizar o FGTS para compensar acordos coletivos que reduzam a jornada e os salários estaria sendo estudada pelo governo desde o final de 2008. A idéia teria ganhado força com o resultado catastrófico no mercado de trabalho em dezembro, quando mais de 650 mil postos de trabalho foram extintos pela crise.

Para janeiro, a expectativa do governo é que ocorra nova redução nos empregos. A boca solta do ministro do Trabalho, porém, irritou o presidente Lula, preocupado em faturar com o anúncio de medidas como o aumento do seguro-desemprego ou a construção de 1 milhão de casas populares, realizadas recentemente.

Insuficiente
O barulho realizado pelo governo para anunciar o aumento do benefício, porém, é inversamente proporcional ao seu efeito. A extensão do prazo do seguro-desemprego de cinco para sete meses, no entanto, vai beneficiar apenas 33 mil trabalhadores de alguns setores específicos. Hoje, cerca de 600 mil trabalhadores recebem o seguro. Só em dezembro, mais de um milhão e meio de trabalhadores foram demitidos.