Governo Obama financia demissões nas montadoras

Pacote de ajuda à Chrysler e GM obriga empresas a demitirem e rebaixar salários. Governo vai pagar 780 mil dólares para cada demissão.No último dia 17 venceu o prazo para as montadoras em dificuldade prestarem conta de seu processo de reestruturação ao governo norte-americano. Concedido às montadoras GM e Chrysler no final de 2008, o pacote, aprovado por Bush, mas já articulado por Obama, prevê bilhões de ajuda às empresas. Em troca, as montadoras devem impor uma profunda reestruturação, reduzindo custos para tornarem-se mais rentáveis.

Em 2008, as duas montadoras conseguiram empréstimo de 17,4 bilhões de dólares do governo. Só a GM abocanhou 13,4 bilhões. Já recebeu até agora 9,4 bilhões. A ex-maior montadora do mundo, que havia aberto Programa de Demissão Voluntária para 62 mil de seus funcionários sindicalizados, anuncia agora a demissão de 47 mil trabalhadores em todo o mundo. Destes 26 mil nas unidades fora dos EUA. A empresa tem ao todo 244 mil trabalhadores. Anunciou ainda o fechamento de cinco fábricas no país até 2012.

A montadora negocia ainda com o sindicato dos trabalhadores, a UAW (United Auto Workers), a redução dos salários e aposentadorias. Como contrapartida ao plano de reestruturação, a General Motors quer mais 16,6 bilhões de dólares do governo para continuar se mantendo. Já a Chrysler ganhou 4 bilhões de dólares, anunciou 3 mil demissões pediu mais 5 bilhões. A montadora mantém 50 mil empregados.

Quanto custa cada emprego?
Caso seja atendida, o total do pacote de ajuda só para a GM vai chegar a 30 bilhões de dólares. A prestação de contas das montadoras mostra o tamanho do rombo da indústria automobilística no país. Evidencia ainda o papel cumprido pelo governo Obama, antes mesmo de tomar posse.

O governo dos EUA impõe uma brutal reestruturação nas montadoras a fim de torná-las rentáveis e competitivas. Hoje elas são vistas como caras e improdutivas. A idéia é se aproximar do modelo das montadoras estrangeiras, com mão-de-obra barata e trabalho mais intensivo. Para isso, pressiona para que sejam realizados cortes e redução de salários. E paga para isso com dinheiro público.

Se considerarmos o total do pacote de ajuda à GM e à Chrysler e o valor dos recursos que essas montadoras reivindicam do governo para dar seqüência ao plano, vamos chegar à impressionante cifra de 39 bilhões de dólares. Considerando as demissões que as montadoras prometem impor para se ajustarem às exigências do governo, serão 50 mil trabalhadores mandados para a rua. É como se o governo norte-americano pagasse 780 mil dólares para cada demissão.

Mesmo com o pacote, a perspectiva ainda é sombria para a indústria automobilística, assim como para a economia dos EUA em geral. O ex-presidente do FED, o banco central norte-americano, Alan Greespan, chegou recentemente a classificar crise atual como a “mais profunda desde a década de 1930”. O ex-guru do neoliberalismo chegou a defender a nacionalização dos bancos em dificuldade, mostrando o fundo do poço a que chegou a recessão no Império.