Governo Lula atolado na sua maior crise política

A criação da CPI dos Correios marcou mais uma derrota do governo Lula no Congresso Nacional. Para tentar impedi-la, o governo apelou para a compra de deputados, oferecendo cargos e subvenções, e fez súplicas a políticos inescrupulosos. De nada adiantou a Como se não bastasse repetir Fernando Henrique Cardoso na área econômica, o governo Lula repete o governo tucano também no terreno na corrupção e derruba, definitivamente, a imagem da “ética na política” vinculada por anos ao PT. Como o PSDB no passado, Lula fez de tudo para impedir a criação de uma CPI. Em plena luz do dia, libera recursos e subvenções a rodo para comprar os parlamentares e impedir a criação da CPI. Assim, o PT institucionalizou uma prática recorrente do governo FHC. Levantamentos dão conta de que foram liberados até R$ 12 milhões em emendas do Orçamento para os deputados. Na sessão que instalou formalmente a CPI, um deputado ironizou: “Eu também quero minha emenda! Eu também assinei, também posso revisar minha assinatura”.

Uma declaração de um parlamentar, um dia antes da criação da CPI, dá a medida exata da operação abafa: “Olhei hoje o Siafi e não vi nenhuma mudança; então, por que vou pedir aos meus deputados para retirar seus nomes?”. O Siafi é o sistema de acompanhamento dos gastos que lista a liberação de recursos do Orçamento.

Ajoelhou tem que rezar
Como se não bastasse, os líderes governistas, Aldo Rebelo e José Dirceu, protagonizaram cenas humilhantes. Um exemplo foi a conversa deles com o deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e pivô do escândalo dos Correios, quando ficou acertado que os petebistas retirariam as assinaturas. “Eles faltaram se ajoelhar para pedir a retirada das assinaturas”, debochou Jefferson. Outro episódio aviltante se deu com o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Segundo ele, José Dirceu ligou quatro vezes para “suplicar” pelo seu apoio para abafar a CPI.

Plano B
Agora o governo começa a pôr em prática seu plano B para tentar impedir o avanço da CPI. Combinando manobras regimentais e articulando a nomeação de parlamentares “confiáveis” para compor a Comissão, o governo tenta adiar ao máximo a sua instalação. O resultado da CPI do Banestado pode fornecer uma pálida idéia do que pode acontecer à nova CPI. Além disso, Lula aposta em um ciclo de crescimento da economia brasileira para abafar os escândalos de corrupção.

Post author Jeferson Choma, da redação
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