Governo e centrais: um pacto social para salvar as empresas

A crise econômica mundial se aprofunda a cada dia no nosso país e empresas tentam repassar os custos da produção para os trabalhadores. O governo Lula, até agora, só olha para os empresários. Numa política deliberadamente de ajuda aos patrões, o presidente declarou que os trabalhadores não devem fazer campanha por aumento de salários em tempos de crise, ou seja, não devem lutar, mas sim se juntar aos patrões para achar uma saída conjunta.

Seguindo esta cartilha, o governo criou uma espécie de “Bolsa Empresa”. Já deu R$ 4 bilhões para as montadoras no ano passado e estendeu por mais três meses a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Além de dar dinheiro público para os patrões, o governo federal, no dia 8 de abril, anunciou seus planos de reforma nas leis trabalhista, uma tentativa clara de redução de direitos para os trabalhadores.

Centrais governistas a favor das demissões
As centrais sindicais que apóiam Lula, principalmente CUT, Força Sindical e CTB, assinaram um acordo com o governo e com os patrões que dá mais regalia para as empresas e permite demissão de trabalhadores a partir do Plano de Demissões Voluntárias (PDV).

Nos sindicatos de base dessas centrais, o acordo é celebrado como impedimento para as demissões nas montadoras. Entretanto, a realidade e as empresas, que Lula ajuda e pede confiança, desmentem as centrais governistas. Passadas algumas horas do fechamento do acordo, no dia 30 de março, a Peugeot-Citröen demitiu 250 trabalhadores na fábrica do Rio de Janeiro.

O jornal do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté (Edição 234, 6/4 a 13/4/2009), filiado à CUT, informou aos trabalhadores que o acordo de redução de IPI incorporou “uma reivindicação da CUT, que foi a contrapartida social da manutenção do nível de emprego nas montadoras”. No entanto, a fábrica de motores da Ford, implantada nessa, cidade abriu PDV.

Em Camaçari, na Bahia, a direção do sindicato, ligado à CTB, afirmou no seu último boletim (nº 193) que o PDV da Ford “oferece benefícios para quem aderir ao plano”. Além disso, se exime da responsabilidade jogando a decisão sobre adesão ao PDV para os trabalhadores. O boletim diz ao operário que, “a partir da sua situação, analise a viabilidade do programa”. Como se não bastasse, diz que a prorrogação da redução do IPI está condicionada à estabilidade no emprego. Um verdadeiro absurdo.

As montadoras no Brasil não estão falidas
Com essa postura, as centrais governistas tentam, juntos com o governo, salvar os negócios dos empresários ao invés de garantir a estabilidade no emprego. Porém os trabalhadores, em todas as fábricas do país, se perguntam onde está o dinheiro que as empresas lucraram nos últimos anos.

De 2003 até o início de 2009, as montadoras tiveram um crescimento em venda de carros recorde no Brasil. O mês de março desse ano, mesmo com a crise, registrou a maior venda de veículos da história do país. Só no ano passado, a Ford lucrou US$ 388 milhões na América do Sul.

O ritmo do trabalho em todas as montadoras foi intenso. Trabalhou-se em três turnos e durante os fins-de-semana na maioria das fábricas. O aumento das lesões e acidentes de trabalho foi a maior expressão do quanto os últimos cinco anos foram duros para trabalhadores.

Todas as grandes empresas do país estão com seus caixas cheios de dinheiro. O que as montadoras estão tentando fazer é manter sua taxa de crescimento a custa do emprego dos trabalhadores.

Uma saída classista para crise
A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) tem defendido, junto com seus sindicatos e oposições, uma política classista para enfrentar a crise. A mobilização é a melhor forma de impedir que os trabalhadores paguem pela crise. A Conlutas defende que o governo Lula pare de dar dinheiro para os empresários e garanta a estabilidade no emprego. A coordenação também exige a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e direitos.