Futebol e pandemia: cartão vermelho para quem quer arriscar vidas para salvar cartolas

Atlético Mineiro retornou aos treinamentos nesta terça, 19 (Foto: Pedro Souza / Agência Galo)

Enquanto a TV exibe antigas partidas de futebol – algumas memoráveis, sem dúvida; outras, nem tanto –, há quem defenda a volta das partidas em estádios no momento em o Brasil caminha rápido para o pico da pandemia de Covid-19.

A pressão começa, é óbvio, pelo próprio Bolsonaro. Numa entrevista recente, o genocida defendeu a retomada do futebol e disse que, por serem jovens e terem boas condições físicas, os jogadores profissionais têm risco pequeno de morrer caso sejam infectados pelo novo coronavírus.

Animados com as declarações do presidente assassino, alguns cartolas e jogadores defenderam o reinício dos jogos. A corrupta Confederação Brasileira de Futebol (CBF) “sugeriu” o dia 17 de maio como data para recomeçar os campeonatos. O bolsonarista Felipe Melo disse: “Sou a favor da volta, mas com segurança para todos. Fazer o que tem de ser feito de teste, enfim… O que tem de ser feito.”

No entanto, não há a menor segurança de não contaminação no momento em o país caminha rapidamente para mil mortes diárias, sem a menor perspectiva de estabilização. Felipe Melo alega que a volta dos jogos vai estimular as pessoas a ficarem em casa, mas não diz que o seu presidente fala todo dia contra o isolamento social e pede para as pessoas irem ao trabalho.

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) também divulgou um comunicado autorizando os clubes a retomarem as atividades em seus centros de treinamento durante a pandemia do coronavírus. Já o presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, declarou: “O jogador que não quiser jogar pede demissão. Se for aberta a possibilidade de o futebol voltar, vai cumprir o contrato que assinou.”

Aqui se vê da forma mais crua a falta de preocupação com a segurança dos profissionais do esporte que, diga-se de passagem, não são apenas jogadores, mas um conjunto de pessoas que são necessárias para a realização de uma partida – de roupeiros e gandulas a jornalistas.

Contudo, grande parte dos clubes e dos jogadores, felizmente, tem se posicionado contra o retorno das partidas. Paulo Autuori, técnico do Botafogo, declarou: “Me parece uma sandice falar sobre o retorno das equipes de futebol neste momento. Falta de respeito diante de tantas mortes e sofrimentos. Demonstra uma preocupante falta de conhecimento dos responsáveis a favor dessa medida sobre a complexa rotina dos treinamentos de futebol. Ausência de preocupação e de respeito aos profissionais, especialmente àqueles mais sacrificados, que não são jogadores nem membros da comissão técnica. Nós, profissionais, merecemos respeito. Querem futebol de volta? E daí?”

GOL DE PLACA
Raí pede para Bolsonaro sair

O ex-jogador Raí, diretor-executivo de futebol do São Paulo, é um defensor incondicional do adiamento dos jogos de futebol. Recentemente, em uma live, Raí pediu que Bolsonato renunciasse e disse ainda que ele “está no limite, muitas vezes, da irresponsabilidade, quando ele vai contra todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde”.

O comentarista playboy Caio Ribeiro não gostou e atacou Raí por ter se declarado a favor da renúncia do presidente. Em seguida, o deputado Eduardo Bolsonaro saiu em defesa do comentarista em redes antissociais. Caio, porém, foi criticado por colegas, entre eles Walter Casagrande, que defendeu o direito democrático de Raí de manifestar-se.

Acontece que Caio é filho do conselheiro oposicionista do São Paulo Dorival Decoussau que já foi preso pela Polícia Federal em flagrante, em 1985, quando ocupava o cargo de superintendente do Hospital Matarazzo, por fraudar guias de internação do Inamps (hoje INSS). A fraude provocou um prejuízo de CR$ 100 milhões de cruzeiros mensais aos cofres públicos. Na verdade, Caio está defendendo os negócios espúrios da sua família.

MANIFESTAÇÃO
Não passarão!

Enquanto fascistas vão às ruas nas carreatas da morte, promovem buzinaços em frente a hospitais abarrotados com pacientes de COVID-19 e vão a manifestações para agredir profissionais da saúde, um grupo de torcedores do Corinthians fez algo exemplar. No dia 9 de maio, reuniram-se na Avenida Paulista num ato em defesa da democracia. A mobilização foi convocada com o objetivo de impedir um protesto de bolsonaristas que aconteceria no mesmo local.

Os torcedores carregavam uma faixa “Somos Democracia”, que fez recordar a Democracia Corintiana do Dr. Sócrates.