Funcionários fazem forte greve mas são traídos pela direção

No último dia 13, os trabalhadores dos Correios deflagraram uma forte greve nacional. Foi o ápice de um processo de radicalização que já vinha se dando, fruto da indignação provocada pelos salários miseráveis, as péssimas condições de trabalho e as ameaças de retirada de direitos da direção da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos).

Reivindicações
O salário inicial de um carteiro é de R$ 524, sendo que metade dos 110 mil funcionários da empresa recebe salário inferior a R$ 800. Além de melhores condições de serviço, os trabalhadores reivindicavam reajuste de 47,77%, referente às perdas de 1994 a 2007, reajuste linear de R$ 200, a fim de diminuir a enorme distorção existente entre os salários dos funcionários, elevação do piso para R$ 1089,48, entre outras reivindicações, como adicional periculosidade e contratação de novos funcionários.

Com o impasse nas negociações com a empresa, os funcionários dos Correios aprovaram, no dia 12 de setembro, paralisação por tempo indeterminado. Os trabalhadores deram início à maior greve dos últimos anos, que se estendeu por 24 estados, atingindo 28 dos 33 sindicatos da Fentect (Federação Nacional de Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares).

Greve nacional
A radicalização da categoria se expressou já na paralisação nacional realizada no dia 23 de agosto, que surpreendeu até mesmo as direções do movimento (Articulação, do PT, e a CSC, do PCdoB). A greve, iniciada duas semanas depois, teve adesão média de 80%, chegando a 95% em alguns lugares, atingindo praticamente todos os setores da empresa.

A forte mobilização impediu de início que a direção impusesse um acordo rebaixado à categoria. No entanto, no dia 19, em reunião realizada entre o Comando Nacional de Greve e a direção da ECT, no TST (Tribunal Superior do Trabalho), foi dado início à operação desmonte da greve. A empresa apresentou um acordo rebaixado em relação às possibilidades do movimento, que foi assumido pelo Tribunal. O acordo previa 3,74% de reajuste, aumento real de R$ 60 para janeiro de 2008 e abono de R$ 500.
O comando nacional rachou e os quatro membros ligados à Articulação e à CSC aceitaram o acordo, espalhando para a imprensa que a greve havia terminado, antes mesmo da proposta passar pelas assembléias de base.

A manobra provocou ainda mais indignação na categoria. Na assembléia realizada em São Paulo, principal base dos trabalhadores dos Correios, os funcionários rejeitaram o acordo e aprovaram a continuidade da greve. No dia 20, o sindicato tentou mais uma vez acabar com a paralisação e foi atropelado por uma verdadeira rebelião de base.

Porém, o boicote sistemático das direções sindicais e a imposição do acordo em boa parte das regiões, especialmente Rio de Janeiro e Brasília, causaram o inevitável refluxo no movimento. Na assembléia do dia 21, a direção do sindicato de São Paulo requisitou a proteção da PM contra os trabalhadores, manobrou, e aprovou o fim da greve com a aceitação do acordo. Tal traição enterrou de vez a greve nacional.

Desgaste da direção
A greve dos Correios foi um exemplo de luta e mobilização aos demais trabalhadores, e sua traição prova a necessidade de uma nova direção para a categoria. “A categoria percebe que lutou, foi guerreira, mas que foi traída por sua direção”, avalia Geraldo Francisco, o Geraldinho, da direção da Fentect pela oposição e da Conlutas. “O que impera hoje é um grande sentimento de revolta e aumentou a disposição para tirar esta direção do sindicato de São Paulo e construir uma frente nacional de oposição à CUT e à direção da Fentect”, afirma.

O vergonhoso papel do PCO

Desde o início da greve, o PCO cumpriu o papel de fura-greve do movimento, sendo contrário à paralisação e colocando-se à direita até mesmo do PT e da CUT. O partido foi repudiado pela base que, em São Paulo, por exemplo, não deixou que seus militantes falassem nas assembléias. “Quem está com patrão não fala no caminhão”, chegaram a entoar os funcionários. Em Minas, onde dirigem, foram atropelados pela base, que aprovou greve. Escancara-se, assim, o verdadeiro papel do PCO, partido oportunista travestido de ultra-esquerda.

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