Funcionalismo e estudantes fazem fortes greves em Sergipe

bloco Tucano Estrelado desfila pelas ruas de Aracaju, formado por servidores e estudantes
Blog greve UFS

O ato contra a visita de Lula, nesta quinta, 26, em Aracaju, refletiu as lutas que vêm ocorrendo no estado, em diferentes setores, como estudantes, técnicos da universidade e o funcionalismo federal, do Incra e da CulturaOs estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) completaram 45 dias de greve. O movimento foi aprovado no dia 13 de junho, em uma assembléia com mais de 1.800 estudantes, a maior já realizada nesta universidade. É mais um reflexo do novo momento em que vive o movimento estudantil, demosntrado pela vitoriosa ocupação da reitoria da USP.

Os estudantes protestam contra a situação caótica em que se encontra a universidade: a precarização da biblioteca central, do restaurante universitário e dos laboratórios. Segundo Ulisses Rocha, membro da frente de paralisação estudantil e do DCE, “a reitoria iniciou um processo de expansão da universidade, porém, o recém criado campus de Laranjeiras não tem instalação física garantida, biblioteca e restaurante universitário. Não há mínimas condições para estudar”.

Um dia antes da visita de Lula a Aracaju, o ministro da Educação, Fernando Haddad, esteve na cidade para assinatura de termos de adesão com o governo do Estado e para lançar o Plano Desenvolvimento da Educação (PDE) e foi recebido pelos estudantes com protesto. Os estudantes foram reprimidos pela Polícia Militar a mando do governador Marcelo Déda (PT).

Apesar da pressão da reitoria, o movimento dos estudantes tem resistido. A última assembléia contou com 994 estudantes e 661 decidiram pela continuidade da greve. De acordo com Ulisses Rocha, “A partir de agora é intensificar a mobilização, construir uma nova jornada de lutas e mostrar para reitoria, governo federal e a toda sociedade que a luta em defesa da educação pública não vai parar”.
Os estudantes mantêm um blog, onde publicam notícias sobre o andamento da luta e recebem demonstrações de apoio e solidariedade.

A greve estudantil também se enfrenta com a reforma universitária do governo Lula que tem em sua pauta a privatização dos hospitais universitários. Este é uma das principais bandeiras dos técnicos administrativos, que realizam uma greve nacional desde 28 de maio. Os grevistas da UFS reivindicam a manutenção dos Hospitais Universitários, cumprindo seu papel indissociável de ensino, pesquisa e extensão e são contra a transformação dos HU´s em Fundação Estatal de Direito Privado. Eles exigem a revogação do PLP 01/2007, que congela os salários por 10 anos; recursos orçamentários para aprimoramento da carreira e lutam em defesa dos serviços públicos e do direito de greve.

Dois meses da greve do Incra
A revogação do projeto que congela o salário e a contratação de pessoal por um período mínimo de 10 anos também é exigida pelos servidores do Incra, em greve há 61 dias. Os servidores do Incra de Sergipe são referência nacional na greve da categoria. Esta é quarta greve da categoria durante os dois mandatos de Lula. Mais uma vez, o governo enrola e não negocia. Os servidores do Incra vêm realizando fortes atividades e chamando a atenção da população de Aracaju para a situação em que passa o órgão. No dia 20, junto aos trabalhadores da Cultura e estudantes da UFS, realizaram uma passeata pelas ruas de Aracaju com o bloco “Tucano Estrelado”, denunciando que o governo do PT segue aplicando a mesma política de FHC.

De acordo com a nota assinada em conjunto com a Conlutas, o comando de greve afirma: “Estamos em greve há 61 dias devido a truculência do governo em não querer negociar com os servidores. Pelo contrário cortou nossos salários. Nunca na história desse país os servidores públicos federais foram tão desrespeitados”.

Unificar as lutas
A cada dia vem sendo colocada a necessidade da unificação das lutas em curso. Essa batalha vem sendo realizada pelos setores em greve em Aracaju com o apoio da Conlutas. “Os trabalhadores precisam hoje de uma nova alternativa de direção para as suas lutas. É necessária a unificação das lutas em curso. O que for preciso fazer para avançarmos nesse sentido, faremos”, afirmou Stoessel Chagas, o “Toeta”, do SINDIPETRO SE/AL, membro da Conlutas em Sergipe.

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