Força Sindical é derrotada em Chapecó

Chapa de oposição apoiada pela CSP-Conlutas vence eleição de importante sindicato operário de Santa CatarinaOs mais de 120 militantes de diversas organizações como CSP-Conlutas, Intersindical, MST, Consulta Popular, CUT e vários sindicatos comemoraram a histórica vitória da chapa 2 sobre a Força Sindical, que dirigia o Sindicato dos Trabalhadores de Carnes e Derivados (Sintracarne) de Chapecó há 22 anos.

A chapa de oposição obteve uma esmagadora maioria de 489 votos contra 216, colocando fim a uma diretoria pelega e atrelada às empresas da região.

Esse sindicato tem uma grande importância em Santa Catarina, pois concentra grandes fábricas como Sadia, Perdigão e Aurora. Um dos donos da Sadia é Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento do governo Lula.

Golpe da pelegada
Ao perceber que iria perder as eleições, a diretoria da Força Sindical dividiu a categoria, formando o sindicato das carnes e o sindicato da alimentação, que tem na sua base a empresa Aurora, do mesmo ramo da Sadia.

A base do Sintracarne de Chapecó é formada por três empresas: a Sadia, com cerca de 7 mil trabalhadores, e mais duas empresas, Bondio e Bugio, que somadas têm mais de 1.300 funcionários, totalizando 8.300 trabalhadores na base. Para falar dessa vitória entrevistamos Jenir Pociano de Paula, que encabeçou a chapa de oposição.

Qual é a importância da vitória?
Vamos honrar nosso compromisso e devolver o sindicato aos trabalhadores, para que juntos possamos lutar por salário, melhores condições de trabalho, creches etc.
Essa vitória abre um novo processo em todo o estado, pois demonstramos que é possível enfrentar os pelegos da Força Sindical, ligados às empresas, e derrotá-los.
Como será a atuação da nova diretoria?

Vamos atuar de forma honesta, quem vai decidir são os trabalhadores através de assembleias, tudo passará pelas mãos dos trabalhadores.

Como se formou a oposição?
A oposição se formou há três anos. Nos reuníamos na casa dos companheiros nos bairros. As reuniões eram clandestinas porque, se os diretores do sindicato soubessem, nos entregariam para a empresa. Esses três anos foram muito difíceis.

Fale sobre a realidade dos trabalhadores da categoria.
Nossa vida é muito difícil. Hoje existem companheiros que começam a trabalhar às 2 horas da madrugada para ganhar R$ 610 brutos. Estamos nos matando de trabalhar, por dia são abatidas 210 mil aves nos dois turnos.

Hoje mesmo, quando estava saindo da fábrica, me deparei com uma cena triste, uma mãe amamentando seu filho e o pai esperando para levar o menino para casa, pois a mãe tinha que trabalhar. Aqui você mora junto mas só vê a companheira no final de semana, porque quando um chega do trabalho o outro está saindo para trabalhar. Uma das nossas lutas será pelo direito à creche.

Além disso, temos muitos companheiros mutilados devido ao excesso de trabalho. É muita pressão sobre os trabalhadores por parte dos chefes.

Você foi observador no congresso da Conlutas e no Conclat. Qual foi a experiência nestes eventos?
A primeira lição é que, quando os trabalhadores se unem, eles ficam mais fortes. Fiquei muito triste quando uma minoria rompeu. Nossa vitória demonstrou que todos juntos somos mais fortes, e essa unidade foi o que possibilitou a vitória da chapa 2.
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