Farinha do mesmo saco

A nova crise política, aberta por mais uma denúncia de corrupção, mostra aos trabalhadores e à juventude de todo o país que os dois candidatos majoritários, Lula e Alckmin, são farinha do mesmo saco.

Dois membros da família Vedoin, que está no centro do escândalo dos sanguessugas, teriam vendido um dossiê contra José Serra que o envolve diretamente na venda das ambulâncias. Além dos irmãos, foram presas outras duas pessoas, incluindo um militante do PT, encontrado com R$ 1,7 milhões para a compra do dossiê.

Duas bombas foram detonadas: uma contra o PSDB, que atinge diretamente Serra, ex-ministro da Saúde envolvido com a máfia das ambulâncias desde seu nascimento, o que ficou claro nas imagens de um vídeo em que aparece junto de vários deputados investigados.

Um torpedo contra Serra e Alckmin
Trata-se de um golpe duro contra a candidatura de Serra ao governo do principal estado do Brasil. Isso atinge também a candidatura de Alckmin em São Paulo, onde o tucano consegue 35% de todas as intenções de voto que tem no país.
Além disso, a nova crise desmonta o principal argumento da candidatura de Alckmin, a luta contra a corrupção. PSDB e PFL apostavam na falta de memória do povo brasileiro, tentando fazê-lo esquecer os escândalos de corrupção do governo FHC, como a privatização fraudulenta das estatais. Não têm conseguido, e por isso a candidatura não deslancha. Agora, com Serra envolvido diretamente no escândalo, a luta contra a corrupção vira piada.

Uma operação para a divulgação do escândalo foi montada. O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Orestes Quércia, levou a denúncia a seu programa eleitoral de TV, ao mesmo tempo em que a revista IstoÉ e os sites da CUT e do PT publicavam a notícia.

A outra bomba, contra o PT e Lula
A história não pára por aí. A outra bomba cai no colo do PT e do governo Lula. Enquanto a denúncia contra Serra se espalhava, surgiu a notícia da prisão dos que tentavam vender o dossiê. A compra da denúncia é aparentemente uma iniciativa da direção nacional do PT, envolvendo dinheiro de origem obscura.

Um dos presos disse que foi contratado pela Executiva Nacional do PT, e um dos citados pelos detidos é Freud Godoy, assessor da Secretaria Particular de Lula. Será investigada a origem do dinheiro para a compra do dossiê, seguramente também vindo da corrupção.

As direções do PSDB e do PFL abriram processo no TSE exigindo investigação direta contra Lula.

O presidente estava saltitando de felicidade, com a eleição no primeiro turno praticamente assegurada. Agora abre-se uma nova crise política, cuja investigação aponta diretamente para a direção nacional do PT e para o Palácio do Planalto.
Os reflexos eleitorais dessa crise não estão claros. Pode ser que a blindagem de Lula, que tem resistido a todas as denúncias de corrupção, sustente mais essa crise. Mas pode ser que não, para desespero do presidente.

Duas bombas,dois disfarces
Duas denúncias explosivas, duas bombas. Cada uma delas seguramente poderia levar à demonstração, mais uma vez, da podridão dos dois lados dos campos majoritários desta eleição.

Provavelmente os dois lados vão buscar obscurecer a sua parte. Lula e a direção do PT, pela enésima vez, vão dizer que não sabiam de nada. Em plena campanha eleitoral, um assessor da Presidência compra um dossiê por uma quantia altíssima (que não poderia ser bancada de forma alguma por ele individualmente), e Lula não sabia de nada? Lembrando histórias infantis, pode ser que as mentiras do “Pinóquio” Lula façam seu nariz crescer novamente, e que tudo fique por isso mesmo.

É abusar da inteligência do povo brasileiro buscar um bode expiatório que assuma a culpa e preserve o presidente. Nós dizemos mais uma vez, como já o fizemos no auge da crise do ano passado: Lula sabia!

Serra e Alckmin, por outro lado, vão tentar desviar o foco da investigação para quem pagou o dossiê, o que é buscar o disfarce, não a investigação da denúncia. Afinal, é verdade ou não que Serra foi um grande beneficiário da máfia dos sanguessugas?

Nem Lula nem Alckmin!
A verdade é que os dois lados são idênticos na corrupção. Trabalhadores e estudantes devem tirar suas próprias conclusões desse episódio lamentável.
Como ter confiança no PSDB e no PFL, tão corruptos como o PT? Como acreditar mais uma vez que Lula não sabia de nada?

Nem Lula nem Alckmin! A candidatura de Heloísa Helena serve para mostrar a falsidade da polarização entre os dois candidatos.

Junto com isso, as lutas estão se dando, apesar do bloqueio da direção da CUT. Na Volkswagen, a burocracia sindical conseguiu impor uma derrota aos trabalhadores, com a aceitação das demissões voluntárias. Para isso, teve que se desgastar enormemente com sua própria base, saindo da assembléia escoltada por bate-paus de fora da fábrica.

Entre os bancários começa a crescer o ânimo de luta, e a reivindicação de assembléias de base em todo país é o eixo desta semana.
Vote e ganhe dois votos de seus vizinhos e colegas de trabalho e de escola para a Frente de Esquerda. É necessário eleger deputados de luta e socialistas, comprometidos com as nossas lutas.

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