Excluída, Vera comenta o debate da Band

Vera, candidata do PSTU à prefeitura de São Paulo

Sou a primeira mulher negra candidata à prefeitura de São Paulo. Tenho muitas propostas para apresentar para os operários, os trabalhadores em geral, a juventude e para o meu povo pobre e negro, que sempre foi humilhado e excluído pelos ricos e poderosos desta cidade. Mas ontem, no debate da Band, me vetaram, não me deixaram falar. Vimos mais do mesmo! Foram 11 candidatos se apresentando durante cerca de 2 horas. Um show de hipocrisia, nenhuma saída real, só demagogia e rendição a um sistema que destrói e oprime. Candidatos engomados tentando enganar o povo.

Eles não dizem o que tem que dizer! Qual a saída concreta para o problema do emprego? Para a alta no preço dos alimentos? Como pretendem acabar com a fome e a miséria? Com as desigualdades?

Na cidade dos bilionários, ninguém falou que, para resolver os problemas do povo, tem que mexer no lucro daqueles que os exploram. Ninguém ousou falar que aqui as demissões têm que ser proibidas, ou que é preciso congelar o preço dos alimentos.

O que vimos, como sempre, foi a frieza da democracia dos ricos. Isso pra não falar das patifarias de playboy querendo pagar de trabalhador, ou de pérolas como o programa “jovem capitalista”. Fico aqui pensando se vão dar um banco para cada jovem. É patético ver Russomano, famoso nas redes por humilhar uma funcionária de mercado, falando mansinho para defender Bolsonaro. E a Joyce? Bolsodoria das últimas eleições, apresentando-se como a “ultradireita consequente” orgulhosa da reforma da previdência do Bolsonaro. Tentam surfar na onda do conservadorismo e pegar carona no atraso!

Não deixa de me causar indignação ver Covas e Orlando Silva discutirem políticas para a mulher negra e eu ter sido vetada e não poder falar sobre nós, mulheres, negras, operárias e apresentar uma proposta realista por fora desta hipocrisia.

https://twitter.com/verapstu/status/1311873502744580097

O debate na casa grande reflete a realidade deles, que é diferente da nossa. Não apresentam respostas reais para os nossos problemas porque não passam nosso perrengue, não choram a morte dos nossos, não vivem com assédio ou medo do desemprego.

Ninguém, nem Boulos, que promete uma Revolução Solidária, questionou o sistema capitalista, que neste momento acumula 1 milhão de mortes pela Covid e uma brutal crise econômica que assola nossa classe. Eu teria colocado o dedo na ferida. Por isso talvez queiram me silenciar!