Era uma vez… o Arte Contra a Barbárie

Ocupação resgata a luta contra as regras de mercado na cultura e nas artesNesta segunda-feira, 1° de agosto, o Movimento dos Trabalhadores da Cultura (MTC) está deixando o prédio da Funarte, em São Paulo, pondo fim à ocupação de seis dias. Eles escreveram um dos capítulos mais combativos e belos na história da luta em defesa da arte e da cultura neste país. Mas, antes disso, é importante lembrar um pouco da história que está por trás da ocupação.

Seria uma injustiça afirmar que a história desta ocupação teve início no movimento Arte Contra a Barbárie, que catalisou os anseios dos ativistas dos movimentos de arte e cultura no final da década de 1990. Esta história, certamente, tem raízes muito mais profundas e distantes no tempo, já que, há décadas, o setor tem lutado, em diferentes frentes, e para tal se organizado em fóruns como o Arte Contra a Barbárie.

A diferença, contudo, é que o movimento surgido no final da década de 1990 significou a resposta para a nova realidade criada. Os estragos causados pelas políticas neoliberais aplicadas pelo governo FHC e pelo de Lula também não pouparam a cultura e as artes.

Como o próprio nome indica, o movimento organizou-se para lutar contra a barbárie causada pela submissão da cultura e da arte às regras do mercado e pela imposição dos interesses privados em detrimento de tudo que é público e coletivo, uma noção contrária à própria essência do verdadeiro fazer artístico.

Foi exatamente esta essência que alimentou os debates que deram origem ao atual movimento, como ficou expresso no manifesto distribuído no início da ocupação: “A produção artística vive uma situação de estrangulamento que é resultado da mercantilização imposta à cultura e à sociedade brasileiras. O Estado prioriza o capital e os governos municipais, estaduais e federal teimam em privatizar a cultura, a saúde e a educação. É esse discurso que confunde política para a agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação pública com transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda doado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações”.

Algo que, nos setores artísticos e culturais, se deu principalmente através de leis de incentivo que, em última instância, nada mais significaram do que benefícios e isenções fiscais para empresas que passaram a ditar regras para a produção artística e cultural.

Presente na ocupação, o técnico teatral e ativista do Coletivo de Artistas Socialistas (CAS), Carlos Ricardo destacou a importância do Arte Contra a Barbárie como um “marco na categoria dos artistas na medida em que representou uma retomada das discussões sobre a política pública de cultura, depois de anos de inanição, e serviu como estopim para tudo o que nos trouxe até este momento”.

ASSISTA AO VÍDEO DA OCUPAÇÃO DA FUNARTE EM SÃO PAULO