Encontro reúne cerca de 600 pessoas

Abertura anima os participantes, com falas dos setores presentes, apresentações culturais e homenagem a Solano TrindadeO I Encontro Nacional de Negros e Negras da Conlutas teve início na manhã deste dia 2 de outubro com apresentações culturais, falas emocionadas e animadoras, e superando as expectativas numéricas. Já estão inscritos 512 delegados, mas estima-se que o evento reúne cerca de 600 pessoas.

Antes de instalar a mesa de abertura, houve uma apresentação cultural, com capoeira e dança, na entrada do evento, que acontece em São Gonçalo (RJ). Depois da apresentação, os artistas convidaram o público que se concentrava ao redor para segui-los até o auditório, onde foi instalada a mesa de abertura, Coordenada por Dayse Oliveira.

Homenagem a Solano Trindade
O Encontro é também uma homenagem ao poeta e lutador Solano Trindade, cujo centenário se completa em 2008. Seu filho, Liberto Trindade, não só foi parte da mesa de abertura, como esteve à frente da organização do Encontro, em especial sua parte cultural.

Emocionado, Liberto Trindade falou sobre o marco dos cem anos de nascimento de seu pai. “Ele passou pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, levando seu trabalho, e carregava com ele um monte de amigos, algo que precisamos aprender, para este movimento crescer”, disse. Ele finalizou afirmando que não fala de Solano como filho, mas como admirador.

Entre indígenas, sem-tetos e juventude, das favelas brasileiras ao Haiti
Ciro Garcia falou em nome da Conlutas, criticando o governo: “o governo, através de suas reformas neoliberais, pretende deteriorar mais e mais as condições de vida da classe trabalhadora. E a parcela mais afetada por essa política, pelas reformas, pela escassez de verbas para saúde, educação, é a juventude negra do país”. Ele falou também sobre a repressão policial, que atinge, sobretudo, os negros e negras. “Tentam nos exterminar com uma política fascista de repressão policial nas comunidades carentes. Os que estão sendo perseguidos por esta dita ‘tropa de elite´ são trabalhadores negros e negras dessas comunidades carentes”, afirmou.

Ciro falou ainda que sobre a construção da Conlutas no processo de reorganização do movimento no Brasil, e disse que “da mesma forma, é preciso se contrapor aos governistas no movimento negro, é preciso construir um organismo que encaminhe a luta contra a opressão num marco de raça e classe”.

Lucas, da Conlute, criticou o Reuni e a privatização das universidades, citando os atuais movimentos de ocupação que se espalham pelo país. “Querem colocar a juventude negra em vagas precárias nas universidades particulares, dizendo que isso é cota. Na verdade querem com isso ludibriar a juventude negra”, denunciou.

A mesa também contou com a participação do líder indígena José Guajajara. Ele falou sobre a luta pela retomada das terras indígenas, e sobre os ataques históricos que os povos indígenas sofreram dos colonizadores. “O movimento negro e o movimento indígena estarem juntos aqui é uma honra, porque foram os povos mais massacrados neste país”, afirmou.

Gama, angolano que faz parte do Movimento Negro Unificado (MNU), lembrou que “os problemas que os negros e negras vivem no Brasil não são diferentes dos problemas dos negros e negras da África. Nós do MNU, sob a insígnia da Raça e Classe, estamos construindo a luta”.

Paula, da ocupação sem-teto Pinheirinho, lembrou que a maioria dos ocupados são negros e pobres, e afirmou a necessidade de unir a classe trabalhadora contra a exploração e opressão: “a gente só consegue mudar esta sociedade burguesa e preconceituosa com a união de brancos e negros. Com esta unidade na luta, dentro da Conlutas, a gente consegue mudar este país”.

Antônio Vieira Andrade, do Movimento das Favelas, disse que “este é um primeiro encontro, mas queremos encontrar a Conlutas nas favelas”. Finalizou relacionando: “Antes senzala, hoje favela. E a luta continua!”.

Fábio falou pelo PSOL que “é inadmissível que o movimento se cale diante da ocupação no Haiti”. “Temos que forjar uma voz pública unitária para homens e mulheres que querem construir uma alternativa real. As políticas não podem ser migalhas, nós lutamos por direitos sociais!”, finalizou.

Geraldinho, da Oposição Alternativa na Apeoesp, falou em nome do PSTU, lembrando que “o Haiti tem uma grande importância, foi o único povo a fazer uma revolução negra vitoriosa nesse continente. Junto com outras lideranças revolucionárias do mundo, como Trotsky, Lênin, Rosa Luxemburgo, Kolontai, Marx, Engels, ao lado deles estão Toussaint L´ouverture e Dessalines, líderes da revolução negra do Haiti”.

Geraldinho disse ainda que “a revolução neste país será feita pelos trabalhadores, construída junto e com corte racial, e junto com as mulheres. Isso não é utopia, é necessidade”. Ao final, ele chamou “Viva a revolução negra no Haiti! Viva a revolução russa! Viva Zumbi dos Palmares! Viva a Conlutas!”.