A necessidade de um novo movimento negro

O I Encontro Nacional de Negros e Negras da Conlutas discutirá a conjuntura política e temas como reparações, educação, saúde, a luta contra as reformas, cultura afro-brasileira (religiões, capoeira e arte), mulheres negras, movimentos sem-terra, sem-teto e de comunidades quilombolas, violência e juventude negra.

O último dia, 4 de novembro, será dedicado a uma plenária em que serão votados o programa e um plano de lutas.

Uma das idéias que será discutida no encontro é a de formar um novo movimento negro, com este conteúdo classista, socialista e de oposição ao governo, que possa disputar concretamente as lutas cotidianas com os movimentos governistas. Algo que, para nós, Negros e Negros do PSTU, pode e deve ser um passo fundamental para apresentar uma perspectiva de raça e classe para o movimento.

Um exemplo de governismo
Enquanto realizamos nosso Encontro, também estará ocorrendo o “Congresso dos Negros do Brasil”, uma iniciativa governista para controlar o movimento negro.

Apesar de ter um nome que dá a falsa idéia de participação geral dos negros, a realidade sobre este Congresso tem sido distinta. A recente etapa realizada em São Paulo deu uma idéia dos métodos usados: os materiais do Congresso foram financiados pelo governo federal, a prefeitura de São Paulo e a Unipalmares (a universidade privada exemplar da ideologia neoliberal citada acima). Também não faltaram obstáculos antidemocráticos.

Por exemplo, tentaram reduzir a bancada do Rio de 104 para 50 delegados. O golpe não foi aceito pela maioria da bancada (todos, a exceção dos delegados da Unegro/PCdoB, se recusaram a fazer o credenciamento), mas serviu para revelar um problema de fundo: os setores governistas precisam do controle rígido dos delegados para que seu apoio a Lula não seja duramente questionado.

Post author Dayse Oliveira e Wilson H. da Silva, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU
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