Encontro Nacional coloca luta contra as reformas em outro patamar

Unidade inédita sob o governo Lula traz perspectiva de grandes mobilizaçõesAo final do Encontro Nacional, apesar de todo o cansaço e o forte calor que dominou grande parte do dia, os militantes de punho cerrado entoavam com garra a Internacional. A imagem final do vitorioso encontro mostra uma parte do resultado desse evento: um forte impulso no ânimo da vanguarda combativa na luta contra as reformas.

Antes mesmo do início do encontro, quando as caravanas ainda chegavam a São Paulo, ninguém tinha mais dúvidas de que, a partir daquele momento, a luta contra as reformas entrava numa nova fase. O grande número de participantes, que excedeu em muito as mais otimistas expectativas, mostra não só um grau avançado de desencanto e ruptura de importantes setores dos trabalhadores com o governo, mas também uma unidade inédita dos lutadores desde o início do governo Lula.

Superando a divisão
Na própria fase de preparação e convocação do dia 25, já ficava evidente que vivíamos um período distinto daquele que marcou o primeiro mandato do governo Lula. Primeiramente chamado pela Conlutas, a convocação ao Encontro reuniu setores importantes dos trabalhadores, como o FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores), Intersin¬dical, MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), CEBs e Pastorais Sociais de São Paulo, Andes-SN, ASSIBGE, Cobap, Condsef, Fenafisco, Fenasps, Sinait e Sinasefe.

Essa gama de representações e forças por si só já compunha uma unidade superior a qualquer outra forjada sob esse governo de Frente Popular. Isso ocorre, pois o primeiro governo de Lula marcou a divisão do movimento. Quando eleito, Lula implementou uma política de cooptação das direções do movimento sindical, aprofun¬dando a adaptação da CUT ao aparelho do Estado. Antigos dirigentes sindicais ocuparam cargos em fundos de pensão e nas direções de estatais, abandonando qualquer perspectiva de independência de classe. Em 2003, a CUT realizou sua primeira grande traição contra os trabalhadores apoiando a reforma da Previdência no setor público, mostrando que mudara de malas e bagagens para o outro lado.

Com relação aos movimentos sociais, se deu o mesmo processo. Foi desta forma que Lula dividiu o movimento sindical e popular, o que possibilitou que ele aprofundasse a política neoliberal no país sem que quase houvesse resistência.

Novo marco na reorganização
A Conlutas foi a primeira organização a expressar a construção de uma alternativa à CUT, aglutinando os setores que rompiam com o governo e sua central e evitando sua dispersão. No entanto, algumas forças que se colocavam contra os ataques do governo, contraditoriamente, insistiam em permanecer limitados aos marcos da CUT, negando-se a realizar qualquer ação e impondo de fato uma divisão no campo combativo.

Porém, com o desgaste crescente do governo, a cada vez mais evidente adaptação da CUT e a experiência realizada pelas massas, tal divisão imposta pelo governo Lula começa a ser superada, sendo o Encontro Nacional a maior expressão desse processo. Isso é o que explica a inte¬gração da Intersindical e demais forças à convocatória do encontro, assim como a presença do MST e da CSC (Corrente Sindical Classista), a corrente sindical do PCdoB, que enviaram representantes ao evento.

Uma ação unificada reunindo a Conlutas, os setores que hoje compõem a Inter¬sindical, as Pastorais de São Paulo, Federações e demais entidades e movimentos nacionais presentes ao Encontro era algo improvável há pouco tempo atrás. Tal fato comprova um novo período nas lutas dos trabalhadores. A imagem das várias bandeiras juntas, após quatro anos de dispersão das forças de esquerda, refletiu-se na grande maioria das falas, que conclamaram a ampliação da unidade como único meio de se contrapor aos ataques do governo.

Esta nova situação abre uma grande perspectiva de mobilizações. Se, em 2003, o governo Lula conseguiu atacar a Previdência pública, agora não será tão simples. Como afirmou Valério Arcary durante o Encontro, o governo encontrará pela frente uma “grande muralha de lutas”.

Tal unidade no movimento de massas só pôde ser construída a partir da política de frente única e unidade de ação que a Conlutas vem desenvolvendo desde o início de sua organização, ou seja, a possibilidade de unir distintos setores com posições bem diferentes ao redor de uma luta comum. Agora, o dia 25 inicia a concre¬tização dessa unidade. Não se trata somente da “unidade pela unidade”, mas, como o próprio nome do encontro já diz, a unidade para a luta dos trabalhadores contra as reformas e “em defesa da aposentadoria e dos direitos sociais, sindicais e trabalhistas”.

Impulsionar Plano de Lutas
O encontro por si só já representa um fato histórico, importante marco na reorganização dos trabalhadores. No entanto, a vitória da luta contra as reformas só se dará de fato se essa unidade conseguir se transformar em movimentos reais dos trabalhadores e jovens, concretizando um plano de mobilizações contra as reformas.
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