Em todo o país, bancários sinalizam forte greve nacional

Após várias rodadas de negociação, os banqueiros e do governo Lula apresentaram uma proposta pífia de 4,5%. Em resposta, os bancários constroem uma forte greve nacional para esta quinta, dia 24Os bancários de todo o país estão diante de uma duríssima luta. Enfrentam a truculência de um dos setores patronais mais poderosos do país e a intransigência do governo Lula, que segue governando para os banqueiros. A política de Lula para salvar os lucros do setor financeiro se choca diretamente com as reivindicações dos bancários, que estão sofrendo na pele o assédio moral, a pressão por metas e um aumento absurdo no ritmo de trabalho.

O papel criminoso da CUT
Além de lutar contra os banqueiros e o governo, os trabalhadores ainda se vêem obrigados a enfrentar mais um inimigo: a burocracia sindical da CUT, que cada vez mais coloca a luta dos trabalhadores num segundo plano, em nome da defesa de Lula.

A Central Única dos Trabalhadores tem total ciência da realidade vivida pelos bancários, inclusive porque todos os dados sobre os lucros dos bancos e sobre a crescente exploração sofrida pela categoria foram divulgados por ela, através do portal da CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, ligada à CUT).

Entretanto, o governismo da CUT faz com que essa entidade ignore tudo isso e cumpra um papel criminoso, servindo de escudo de Lula (e conseqüentemente, dos banqueiros) num momento em que os trabalhadores bancários estão se organizado e lutando por suas reivindicações imediatas e históricas.

Em São Paulo, o Sindicato (ligado à CUT) sequer chamou assembléia para definir a pauta de reivindicações da categoria. Simplesmente determinou que a pauta dos trabalhadores seria a que foi votada na Conferência Nacional da CONTRAF (um fórum formado majoritariamente pela cúpula da CUT), que definiu um índice unificado 10% quando as perdas da categoria já somam cerca de 25% no setor privado e mais 80% no setor público.

Além disso, durante a Conferência Nacional, a corrente que controla a CUT (Articulação) tentou aprovar que a campanha salarial agora tenha a validade de dois anos, como forma de não atrapalhar as campanhas eleitorais dos candidatos governistas. Essa tentativa gerou uma crise na Conferência e a proposta foi retirada, no entanto, não temos nenhuma garantia de que os sindicalistas da CUT não irão defender essa proposta nas assembléias, caso os banqueiros e o governo Lula tentem incluí-la no acordo coletivo. O que vem acontecendo na campanha salarial dos trabalhadores dos Correios é uma prova disso.

Durante as “negociações”, a CONTRAF/CUT também se negou sistematicamente a construir um calendário de mobilizações que apontasse para uma greve, mesmo após mais de um mês sem nenhuma sinalização dos patrões.

MNOB propõe greve e unificação das lutas
O MNOB/Conlutas vem se apresentando como uma alternativa aos trabalhadores bancários diante do peleguismo da CUT. Em julho, o MNOB/Conlutas – juntamente aos sindicatos de Bauru, Maranhão, Rio Grande do Norte e diversas oposições – realizou um Encontro Nacional que construiu uma pauta de reivindicações baseada na participação e nos interesses da categoria. A pauta, que já foi entregue aos banqueiros e às direções dos bancos estatais, exige, entre outras reivindicações: 30% de reajuste para toda a categoria, negociações específicas com os bancos públicos pela reposição integral das perdas, jornada de 6h para todos sem redução de salário, fim das metas e do assédio moral, etc.

Entretanto, a luta por essas reivindicações não será fácil. A CUT continua utilizando a Mesa Única da FENABAN (espaço controlado pelos banqueiros privados que define o índice de reajuste da categoria) para evitar as negociações diretas com as direções dos bancos estatais e assim não deixar o governo Lula na mira da categoria.

Em sintonia com a disposição de luta da categoria, o MNOB/Conlutas aprovou uma proposta de calendário lançada em todo o Brasil, para que os trabalhadores pressionassem as direções e construíssem a mobilização. Essa proposta, que apontava uma assembléia para o dia 23 com deflagração de greve por tempo indeterminado a partir do dia 24, recebeu o apoio dos trabalhadores. Em meio a muita pressão e diante do índice de reajuste vergonhoso oferecido pelos patrões, a CONTRAF/CUT se viu obrigada a aderir ao calendário do MNOB/Conlutas e chamar a greve.

Na semana passada, os banqueiros ofereceram uma proposta de 4,5% de reajuste. Este índice é uma provocação, principalmente diante de uma categoria que acumula tantas perdas e do setor patronal que mais lucra no país. Os bancários receberam essa proposta com muita indignação e já começam a construir a greve.

Nesse momento de crise econômica, é fundamental a unificação das lutas da classe trabalhadora e através dela, construir paralisações nacionais de todas as categorias em luta. Trabalhadores dos Correios, da saúde, metalúrgicos, professores, químicos, entre outras, já estão com suas campanhas em curso. Por isso, é necessário exigir das direções sindicais a aprovação de um calendário que unifique a campanha salarial dos bancários com as de todos os outros trabalhadores e um dia nacional de paralisações. A unificação intensifica a resistência frente às medidas do governo e dos patrões, e pode desencadear lutas mais radicalizadas contra os efeitos da crise.

Juary Chagas é diretor do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte e também escreve o blog http://juary-chagas.blogspot.com

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