Para continuar lucrando durante a crise, banqueiros aumentaram exploração

Demissões também aumentaram. Banqueiros ficam com 25% de tudo o que é lucrado no país, sem produzir um único parafuso sequer. Governo Lula está ao lado dos banqueirosO governo Lula continua seguindo à risca o seu papel de capacho do imperialismo e dos especuladores nacionais e internacionais. Para salvar os banqueiros da crise econômica, Lula decretou no ano passado um pacote de socorro financeiro aos bancos, expresso principalmente na transferência de recursos e numa lei (Medida Provisória 443) que dá liberdade aos principais bancos estatais (Caixa e Banco do Brasil) para comprar ações podres das instituições financeiras à beira da bancarrota. Do ano passado para cá, Lula liberou mais de 160 bilhões ao sistema financeiro, transformando o PROER de FHC (que custou mais de 20 bilhões) numa verdadeira bagatela.

No entanto, esse mega-socorro de Lula não diminuiu a sede dos bancos pelo lucro. Os banqueiros (e o próprio governo Lula, nos bancos estatais) continuam intensificando a exploração sobre os bancários. As demissões, o assédio moral e a pressão por metas são os reflexos da necessidade que os patrões têm de preservar níveis absurdos de lucratividade.

É isso o que permite que, mesmo diante de uma queda na taxa de lucro de conjunto, os bancos continuem ganhando. A Caixa divulgou em agosto o seu balanço do 1º semestre, com um lucro líquido de R$ 706 milhões. O Banco do Brasil alcançou um lucro de R$ 4,01 bilhões no mesmo período. O conglomerado Itaú-Unibanco ultrapassou todas as expectativas e lucrou R$ 4,586 bilhões.

Para se ter uma idéia ainda maior do absurdo que significa essa lucratividade, basta dizer que uma pesquisa feita no mês passado pela Folha de São Paulo constatou que os 21 bancos que apresentaram seus resultados tiveram um lucro líquido de R$ 14,33 bilhões. Isso corresponde a quase 25% do total de ganhos de todas as empresas de capital aberto no Brasil. Se dividíssemos toda essa lucratividade linearmente com quem realmente trabalha, cada bancário receberia um valor de aproximadamente R$ 30 mil. Isto significa que os banqueiros conseguem abocanhar 25% de tudo o que é lucrado no país, sem produzir um único parafuso sequer.

Contraditoriamente, os bancos que operam no Brasil não só não dividem essa lucratividade com os trabalhadores, como fazem questão de esbanjar luxos megalomaníacos. Recentemente, a Caixa custeou uma pomposa viagem à França para 100 empregados da empresa (a maioria executivos e gestores), como “prêmio” por terem alcançado metas astronômicas, ou seja, por um resultado fruto do assédio e da pressão sobre a maioria dos trabalhadores – que não passaram nem perto de Paris.

Mas isto não é tudo. Mesmo com toda a lucratividade, os bancos fecharam 2.224 postos de trabalho somente no primeiro semestre, segundo dados do Dieese. Além disso, as instituições financeiras utilizaram o mecanismo da rotatividade, demitindo os trabalhadores mais antigos e com maiores salários e direitos. Foram 15.459 demissões contra 13.235 contratações, o que mostra que a palavra de ordem dos banqueiros é arrochar salários, fechar postos de trabalho e explorar os que continuam trabalhando, sob a ameaça do desemprego.

O governo Lula tem totais condições de por um fim nesse ciclo e reverter esse quadro editando uma lei que assegure o emprego e impeça as demissões, estatizando sob o controle dos trabalhadores o sistema financeiro e todos os bancos que demitirem. Entretanto, a subserviência de Lula frente aos banqueiros (que financiam as campanhas eleitorais do PT) não possibilita isso, pelo contrário, faz com que o Governo, na prática, financie literalmente todas essas demissões e todos os ataques aos trabalhadores bancários.

Juary Chagas é diretor do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte e também escreve o blog http://juary-chagas.blogspot.com