Em São Paulo, ato nacional exige a legalização do aborto

Cerca de 150 pessoas, a maioria mulheres, se juntaram nesta sexta-feira em frente ao Teatro Municipal de são Paulo, na Praça Ramos, para exigir a descriminalização e a legalização do aborto. Esta data foi escolhida porque domingo, dia 28, é o Dia Latino Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Foram lembradas as mulheres que estão sendo aterrorizadas e ameaçadas por interromperem a gravidez, como aconteceu com 10 mil no Mato Grosso, em 2007.

O ato foi convocado pela Frente Nacional pela Legalização do Aborto, que agrupa distintas organizações e entidades de trabalhadores, estudantes e movimentos populares. O PSTU participou da atividade e assinou sua convocatória. “Nenhuma mulher deve ser impedida de ser mãe. E nenhuma mulher pode ser obrigada a ser mãe. Por uma política que reconheça a autonomia das mulheres e suas decisões sobre seu corpo e sexualidade”, diz o manifesto da Frente.

Cecília Toledo, da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU, falou em nome do partido. “Queridas e queridos companheiras e companheiros lutadores”, saudou, “a luta pela legalização do aborto é uma das lutas mais importantes das mulheres hoje”.

Ela lembrou as milhares de mulheres mortas e seqüeladas todos os anos por abortos mal-feitos. “Tudo isso poderia ser facilmente evitado se, em nosso país, o aborto fosse legalizado”, disse. Ela citou o exemplo de lugares em que recentemente se descriminalizou a prática, como Portugal e Cidade do México.

Cecília também diferenciou a situação das mulheres trabalhadoras que não podem pagar por abortos seguros como fazem as ricas. Por isso, para ela, esta “é uma luta não só das mulheres, mas de toda a classe trabalhadora”, de homens e mulheres trabalhadores juntos. “Temos de nos organizar em nossos sindicatos, entidades de classe, partidos”, concluiu.

Conlutas oferece alternativa às trabalhadoras
O Movimento de Mulheres da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) também ajudou a convocar o ato e esteve presente com peso na atividade. Na faixa da entidade, lia-se as palavras-de-ordem “Pela descriminalização e legalização do aborto” e “Distribuição gratuita de todos os métodos contraceptivos”.

Janaína Rodrigues falou representando a central. Ela destacou a importância da unidade que se construiu em torno desta reivindicação. “Somos parte das mulheres que compõem metade da população do mundo, mas ainda somos as mais oprimidas e mais exploradas”, falou.

“É necessário denunciar o descaso às mulheres, os crimes cometidos pelo Estado e pela Igreja”, disse, “é importante dizer que não somos criminosas, nosso corpo é nosso”. E concluiu: “Exigimos do governo Lula, dos governos estaduais e municipais, dos candidatos que legalizem o aborto. A Conlutas faz um convite às mulheres para que venham construir um movimento de mulheres classista, das trabalhadoras”.

As mulheres seguiram em caminhada até o Supremo Tribunal de Justiça. Antes, fizeram uma parada no Ministério Público, onde entregaram o manifesto da Frente exigindo a descriminalização e a legalização do aborto.