Em Porto Alegre, população diz “não” à retirada de direitos e ao roubo de seu patrimônio

Linomar Benites disse preocupar-se principalmente com a reforma da Previdência
Sindppd-RS

É bonito ver que a famosa Esquina Democrática, no centro da capital gaúcha, é palco de um verdadeiro exercício de democracia. Está ali instalada uma das urnas do Plebiscito Popular, que ocorre de 1º a 7 de setembro, com o intuito de dar um basta à retirada de direitos e à destruição do serviço público, promovidas pelo governo Lula, mas também implantada pelo governo estadual, de Yeda Crusius (PSDB), e municipal, de Fogaça (PPS). Por isso, os gaúchos têm uma pergunta a mais para responder.

Às questões sobre o fraudulento leilão da Vale do rio Doce, a reforma da Previdência que retira direitos, o pagamento das dívidas externa e interna e a exploração da energia elétrica que leva a população a pagar oito vezes mais que as grandes empresas, soma-se a pergunta sobre as praças de pedágio – um verdadeiro assalto aos trabalhadores que utilizam as estradas gaúchas.

Contudo, é mesmo a reforma da Previdência o tema que mais indigna os participantes do Plebiscito. O aposentado Linomar Benites se diz contrário às políticas do governo Lula de uma maneira geral, mas preocupa-se especialmente com o projeto de reforma da Previdência, principalmente em nome de seus dois filhos. Com a mesma preocupação, segurando o pequeno João Alberto no colo, Alberto Martins se irrita: “para eles (os políticos), diminuem. Para nós, só querem saber de aumentar a idade da aposentadoria”. Alberto também é aposentado, mas diz que prefere a palavra “jubilado”. A explicação? “Eu não fui para o aposento!”, diz o ex-trabalhador da CEEE, que ainda não esqueceu os desmandos do governo Britto dentro da empresa e teme que Yeda dê continuidade ao projeto de privatização da Companhia.

“Como todo brasileiro, eu me sinto indignado”, bradou o corretor de imóveis Valdomiro Lopes, iniciando, assim, um discurso de crítica ao governo federal. “Os políticos só querem saber de levar ‘o seu´. E o povo? O povo que se rale!”, referindo-se à corrupção generalizada e ao descaso com as políticas sociais. Seu amigo, também corretor, Luis Jorge da Silva sugere ainda a mobilização em torno de mais uma questão, a CPMF. “Criaram a CPMF para ajudar o SUS e estão desviando a maior parte do dinheiro! E o pobre que não tem dinheiro para comprar remédio, como é que fica? Isso tem que acabar!”, indigna-se. E finaliza, resumindo a sensação que o motivara a participar do plebiscito: “dói ter que testemunhar esses absurdos”.

Tão logo Luis termina seu desabafo, vem chegando para dar seu voto aquela que representa a figura que mais perderá se o projeto de reforma da Previdência for adiante. Uma mulher trabalhadora. Lúcia Lima decidiu dizer não à retirada de conquistas históricas das mulheres. Do seu trabalho com faxinas sai o sustento da pequena Renata, que ajuda a colocar a cédula preenchida pela mãe na urna do plebiscito. Lúcia reclama que ainda antes de se aposentar, já sofre com o descaso. “Foi difícil, mas sempre contribuí em dia com o INSS e, agora, me foi negado o auxílio-doença, e eu não consigo trabalhar. O que é que eu faço?”, pergunta, explicando que não consegue mais realizar movimentos necessários a sua rotina de trabalho.

Hoje, Alberto, Linomar, Valdomiro, Luis e Lúcia disseram NÃO. E o fizeram não só por eles, mas por João Alberto, pelos filhos de Linomar e por Renata. Participe também do Plebiscito Popular. Procure a urna mais próxima de seu bairro/escola/empresa e ajude Alberto, Linomar, Valdomiro, Luis e Lúcia a darem um basta à retirada de direitos e ao roubo de nosso patrimônio.