Bandeirinhas verde-amarelas

A semana da Independência é cheia da mais completa hipocrisia. Enquanto sacodem bandeirinhas verde-amarelas, os governantes tomam todas as suas decisões com os olhos voltados para o governo dos Estados Unidos e os mandamentos do “mercado”.

Este nome, “mercado”, é o apelido das imposições dos grandes bancos e empresas multinacionais. Um reduzido grupo de grandes empresários que mandam no mundo inteiro, tendo atrás de si o poderio econômico e militar do imperialismo norte-americano. Trata-se de uma tirania bem mais forte e onipresente que a monarquia decadente de Portugal de antes da Independência de 1822.

Quem decidiu este modelo econômico imposto aos brasileiros foram as multinacionais. Às vésperas das eleições de 2002, tanto Lula quanto José Serra assinaram um protocolo de acordo com o FMI em que se comprometiam com esse mesmo modelo econômico.

Os trabalhadores não sabiam e apoiaram Lula, acreditando que estavam decidindo, ao votar, mudar o plano de FHC. No entanto, o voto não valia nada, os dois candidatos defendiam o mesmo plano econômico.

Como afirmou sem nenhuma meia palavra o megainvestidor-especulador George Soros, antes das eleições de 2002, “no capitalismo global moderno, só votam os americanos, os brasileiros não votam”. Essa é a realidade, que não pode ser disfarçada nem pelos desfiles militares e discursos dos governantes.

Por trás das bandeirinhas verde-amarelas existem realidades bem diferentes. Um trabalhador, ao agitar uma bandeira, honestamente acredita e torce pelo seu país. Para um representante dessas grandes empresas, essa bandeira é só mais um negócio, um produto a ser vendido. Para o governo Lula, a bandeira é uma formalidade: deve ser hasteada para encobrir a absoluta falta de independência nesse país.

A segunda independência só virá neste país se os trabalhadores tomarem para si esta tarefa. Nenhum setor da burguesia que tenha sobrado terá condições para encabeçar essa luta. Eles preferem um posto de gerente numa empresa multinacional a ter de mobilizar os trabalhadores para enfrentar o imperialismo.

A libertação do imperialismo é um dos sentidos mais importantes do Plebiscito Popular que Conlutas, Jubileu Sul e MST estão realizando nesta semana. A reestatização da Vale, o não-pagamento das dívidas interna e externa são bandeiras que só a libertação do imperialismo pode assegurar.

Agora, depois do plebiscito, vamos seguir no plano de lutas. A Conlutas está convocando uma grande marcha sobre Brasília para o dia 24 de outubro. Vamos levantar nossas bandeiras contra o governo Lula, contra a dominação do imperialismo.
Post author Editorial do Opinião Socialista nº 313
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