Em Florianópolis, ativistas fecharam acesso da ilha ao continente no dia 23

No dia 23 de maio, mais de 5 mil trabalhadores do Estado de Santa Catarina realizaram a maior manifestação dos últimos dez anos. Ainda no dia 22, os trabalhadores rodoviários paralisaram toda a categoria deixando mais de 200 mil sem transporte. Após a parada, os patrões foram obrigados a negociar com o sindicato e atender às reivindicações dos trabalhadores.

Numa tarde de sol de quarta-feira, às 14h, próximo à Praça XV, estavam em assembléia os servidores públicos municipais. Os militantes da Conlutas, em suas intervenções disseram aos trabalhadores que, logo após, todos iriam se concentrar na Praça, já que era dia de luta contra as reformas do governo Lula e não só contra a Emenda 3, como diziam os diretores da CUT. Esses foram obrigados a reconhecer o caráter do dia 23: contra o governo e suas reformas.

Na praça Tancredo Neves, eram os professores estaduais que faziam assembléia. Quando Joaninha de Oliveira fazia uso da palavra, chegou uma delegação de trabalhadores do MST, que foram saudados pelos professores.

Após os informes da categoria, feito por Damilo Ledra, membro da Chapa 1 – que concorre à direção do sindicato da categoria e é apoiada pela Conlutas -, foi aberto um espaço para o servidor federal conhecido como Durva falar sobre a reforma da Previdência. Em seguida, os professores saíram em passeata até a secretária da educação e protocolaram um oficio exigindo uma audiência com o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Após, dirigiram-se à Praça XV.

Numa terceira praça, a Pereira de Oliveira, estavam os servidores federais em greve dos seguintes órgãos: Ibama, IBGE, Previdenciários, Ministério da Cultura e Cefet. Também estava parada a polícia civil.

Todos se uniram na Praça XV. Somaram-se estudantes da UFSC, MST, sem-teto, entre outras categorias e movimentos sociais que saíram em passeata pelo centro de Florianópolis.

No carro de som, os dirigentes da Conlutas, Intersindical e CUT se revezavam ao microfone, nas falações da grande passeata. Joaninha lembrou que essa era a primeira de uma series de manifestações que serão feitas contra as reformas do governo Lula e que, no segundo semestre, vamos ter de fazer uma grande manifestação em Brasília. Chamou, também, MST, CSC, UNE e direções sindicais que ainda apóiam o governo Lula para que rompam com ele e se somem aos trabalhadores que estão mobilizados contra a reforma da Previdência e pelo direito de greve. “É preciso que as entidades do movimento mantenham sua independência de classe diante
do governo Lula e tenham autonomia para organizar a luta”, disse Joaninha.

Bloqueio da ponte que liga continente à ilha
A situação ficou tensa quando os manifestantes ocuparam as oito pistas da ponte Pedro Ivo Campos, bloqueando o acesso do continente à ilha e vice-versa. A tropa de choque da Polícia Militar apareceu rapidamente, e os manifestantes continuaram na pista.

Somente após mais de 40 minutos com a ponte bloqueada, chegou-se a um acordo com a polícia, que aceitou que a passeata seguisse até o continente e voltasse para a Ilha.

Há alguns meses, o prefeito de Florianópolis, Dário Berguer (PSDB) disse que manifestantes não cruzariam a ponte. Os trabalhadores, no dia 23, fizeram o prefeito engolir o que disse.

A manifestação só terminou às 19h, com um ato em frente à Câmara dos Vereadores. A manifestação teve um caráter contra o governo Lula e suas reformas, contra a Emenda 3, incluindo as reivindicações das categorias em lutas e obrigando a CUT a ir para as ruas de Florianópolis, junto à mobilização.

O sentimento dos manifestantes era de vitória, alegria e empolgação. Não se via um ato tão numeroso e que unificasse toda a classe trabalhadora de Santa Catarina há muitos anos. Os ativistas catarinenses expressaram o sentimento de unidade e de disposição pra lutar.