Eleições do Sindicato dos Correios de São Paulo terminam nesta quinta

Detalhe do panfleto da chapa 2 para a votação
Reprodução

Estão ocorrendo neste momento as eleições para a nova diretoria do Sindicato dos Correios de São Paulo (Sintect-SP). A votação, que começou nesta terça, dia 15, vai até o dia 17 de janeiro. A eleição ocorre após a anulação da eleição anterior marcada pelo PCdoB (CTB) e Articulação Sindical (CUT), na qual a chapa da Oposição/Conlutas foi impedida de participar. A Justiça determinou o cancelamento das eleições fraudadas e instituiu uma junta governativa para a coordenação de novas eleições.

Disputa acirrada
Concorrem seis chapas para a diretoria do maior sindicato dos Correios do país. A chapa 1, encabeçada pela Força Sindical; Chapa 2, integrada pela Conlutas; chapa 3, impulsionada pelo PCdoB; Chapa 4, do PCO; Chapa 5, levada à frente pela Articulação (CUT) e a Chapa 6, dirigida pela UGT.

Até a tarde do dia 16 já haviam votado cerca de 2.500 trabalhadores. De acordo com ativistas envolvidos na eleição, a disputa corre acirrada entre a chapa 2, da Conlutas, a chapa 3 (PCdoB) e a chapa 6 (UGT). A votação ocorre de forma tensa, principalmente devido ao grande número de “bate-paus” mobilizados pela Força Sindical e UGT.

Pelegos e empresas unidos contra lutadores
Apesar da disputa, a polarização se dá na prática entre a chapa de oposição da Conlutas e as outras cinco chapas, junto com a direção da empresa. Na campanha, as demais chapas amenizam suas diferenças na hora de atacar a Conlutas. Nos ataques, utilizam-se de calúnias, como a que a Conlutas teria sido contra o adicional de risco, conquistado pela categoria.

O PCdoB e a UGT afirmaram serem os responsáveis pela conquista do índice, quando os sindicalistas ligados à Conlutas teriam sido contra. “Desde o início estivemos na luta pelo índice. O Robson, do Sintect da Paraíba, ligada à Conlutas, assim como todos os sindicatos da Conlutas, estiveram em Brasília para exigir o índice, desmente Geraldinho, candidato da Chapa 2. “Na verdade, foi uma conquista da mobilização da categoria”, explica.

Robson foi coordenador da Comissão Nacional de Periculosidade, composto por 8 sindicatos, 5 dos quais compõem a Conlutas (Paraíba, Pernambuco, Amazonas, Vale do Paraíba e São José do Rio Preto). “Agora todos querem ser pai da criança. Todo mundo sabe que quem garantiu o abono foi a disposição de luta da categoria”, afirma o próprio Robson, que ainda denuncia que “toda a ex-diretoria do Sindicato de São Paulo foi retaguarda desse processo, não enviaram nenhum representante para compor a comissão”.

Chapa 2 propõe programa de luta
Além da garantia do adicional de risco, a chapa 2 luta pelo Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) que atenda as reivindicações da categoria, além da redução de jornada sem redução de salário, entre outras reivindicações históricas da categoria. A chapa da Conlutas defende ainda a participação efetiva da base nos rumos do sindicato, contra a burocratização.

No momento em que a votação se aproxima de seu desfecho, cresce a expectativa de uma vitória da oposição. “Uma vitória da chapa 2 mudaria completamente a conjuntura da luta nacional da categoria, pois este é o maior sindicato de correios do país e um dos maiores da América Latina no ramo” diz Geraldinho. Além de colocar o sindicato a serviço das lutas dos trabalhadores, tal vitória “constituiria um importante apoio na luta contra as reformas e os ataques do governo Lula, tendo impacto também em outras categorias”, afirma o dirigente da Conlutas.