Bush visita Oriente Médio para fortalecer aliados

Totalmente desacreditado nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush iniciou um giro pelo Oriente Médio no último dia 9. O objetivo da Casa Branca é fortalecer seus principais aliados na região que hoje se encontram profundamente desgastados, como é o caso de Israel e de seu primeiro-ministro, Ehud Olmert. Esse também é o caso do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que em junho passado perdeu a faixa de Gaza para o Hamas.

Não foi por acaso que Bush iniciou sua jornada justamente pela Palestina, onde defendeu os acordos firmados em Annapolis entre Israel e a ANP. O acordo é mais uma armadilha do imperialismo, que tenta posar de “paladino da paz” no Oriente Médio. Nos acordos ficou de fora a devolução imediata por parte de Israel dos territórios palestinos ocupados, incluindo Jerusalém e a Cisjordânia. Tampouco foi mencionado tema do retorno à Palestina dos 7 ou 8 milhões de palestinos refugiados (e seus descendentes) expulsos de suas casas em 1948, quando da criação do Estado de Israel, e que hoje estão vivendo de forma precária e insegura na Jordânia, Síria e Líbano, entre outros lugares. O resultado prático desta armadilha é fortalecer Abbas como agente do imperialismo na região, enquanto tenta-se fragilizar o Hamas. Prova disso é que no último dia 15 blindados israelenses invadiram a Faixa de Gaza, numa operação que deixou pelo menos 18 palestinos mortos.

Operação Limpeza
As tropas israelenses não estiveram apenas na Faixa de Gaza. Uma verdadeira operação limpeza foi colocada em prática para a chegada de Bush. Milhares de soldados israelenses, apoiados por blindados, tomaram de assalto a cidade de Nablus, na Cisjordânia. Por três dias, o exército invasor saqueou, humilhou e destruiu loja e casas. Os invasores sionistas prenderam mais de 20 palestinos, incluísive membros das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa de Fatah e do Hamas.

Há fortes suspeitas de que a operação Nablus foi acordada com a ANP. As tropas da ANP se retiraram silenciosamente para seus edificios, fecharam as portas e esperaram o operação israelense terminar.
“Que tipo de governo é esse cujos soldados e policiais se apressam em fugir para seus quartéis quando um exército de ocupação viola a cidade”, questionou Maher Kanan, um comerciante de Nablus.

Mais ataques contra o Irã
Por outro lado, o presidente norte-americano lançou-se em uma campanha de violentos ataques verbais contra o Irã, taxado como o “responsável” pelo terrorismo mundial. A campanha suja contra o Irã não é nada original. O imperialismo repete os mesmo argumentos que justificaram a invasão no Iraque, que depois se demonstraram totalmente falsos.

Na verdade, o imperialismo está preocupado com a crescente influência iraniana na região. Influência essa que é alimentada pelo atoleiro norte-americano no Iraque e pela desgaste de Israel após a derrota do exército sionista no Líbano.

Paralelamente, a Casa Branca trabalha para fortalecer as ditaduras monarquicas do Oriente Médio. Por isso, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que pretende vender ao governo da Arábia Saudita armas no valor de US$ 123 milhões. O negócio faz parte de um pacote maior de venda de armamentos também para o Kuwait e os Emirados Arábes. Todos aliados de Washington.