Educação pública: o retrato do abandono

O caos da educação pública brasileira é sentido pela maioria da população, especialmente entre os trabalhadores mais pobres. Poucos investimentos, nenhum interesse dos governantes, péssima remuneração dos professores. Esses são apenas alguns dos ingredientes de uma situação que perdura por décadas.
Mas afinal, como chegamos a esse caos? De quem é a responsabilidade? É possível garantir uma educação pública de qualidade pra todos?
O Brasil tem mais de 14 milhões de analfabetos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2009). Como se não bastasse, mais de 30 milhões são considerados analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que não compreendem o que leem.

A marginalidade da população negra, devido ao racismo, aparece com força: 59,4% da população negra acima de sete anos, é analfabeta. E muitos filhos de trabalhadores estão fora da escola.

“Aqui em São Paulo, mais de 700 mil crianças e jovens na idade escolar estão fora da escola. Isso significa que temos 25% dos jovens do ensino básico fora da escola”, explica João Zafalão, professor e candidato a vereador pelo PSTU na capital paulista.
O retrato também é alarmante quando o assunto é creche. Hoje cerca de 10 milhões de crianças, entre 0 e 3 anos, não encontram creches no país.
Já os trabalhadores em educação enfrentam salários de fome, jornadas extenuantes e a destruição do plano de carreira. Em 2011, muitos tiveram que ir à luta para fazer valer o piso nacional do setor. Foram greves e mobilizações imensas em quase todos os estados e municípios.

O ensino superior, por sua vez, continua a ser um sonho distante para a maioria dos filhos da classe trabalhadora. Somente 14% conseguem entrar na universidade, ficando de fora 21 milhões de jovens entre 18 e 24 anos. Além disso, nas universidades públicas faltam professores e funcionários. Também faltam vagas, enquanto o governo envia dinheiro público para as faculdades privadas (veja ao lado). Para lutar contra essa situação, os professores e estudantes realizaram uma greve de três meses nas universidades federais, uma das maiores dos últimos anos (ver página 7).

Como em todas as eleições, os candidatos do PT e do PSDB e seus aliados apresentarão velhas soluções “mágicas” para resolver o problema da educação. Todos escondem, porém, sua responsabilidade pelo caos.

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