Editorial: A única campanha revolucionária

Foto Romerito Pontes

Todos vimos o balcão em que foi negociado o apoio do PTB, DEM, PP, PR, PSD, Solidariedade e PRB. Várias dessas siglas são desconhecidas do povão. Elas formam o chamado “centrão”. São partidos e parlamentares que, no Congresso corrupto, vendem-se para quem pagar mais.

O PSDB e Alckmin, partido e candidato mais queridos da maioria da burguesia, deram o lance maior e levaram esses partidos. Se eleito, descobriremos quais foram as tenebrosas transações em que a pátria-mãe, mais uma vez, será subtraída.

Com a ida desse povo para Alckmin, Ciro Gomes saiu enfraquecido. Essa jogada, movida mais pelo apoio dos pesos pesados da burguesia do que pela força do PSDB, isola outro candidato do campo burguês: Bolsonaro, que corre desesperado atrás de um vice.

Ciro, candidato do PDT, ainda briga com o PT para ver quem leva o PSB ou se esse fica neutro, liberando diferentes coligações nos estados. Manuela D’Ávila, do PCdoB, deve ser mantida como candidata para só depois decidir sobre a retirada em favor de Lula ou de Ciro ou se a mantém.

O MDB de Temer, embora metade ou mais esteja na canoa de Lula, deve lançar Henrique Meirelles, o milionário banqueiro e ex-ministro de Lula e Temer. Ele quer ser candidato, tem só 1% nas pesquisas, mas ajuda a esconder que Alckmin é a continuidade de Temer.

O PT lançará Lula mesmo preso até arrumar um substituto. “Lula Livre” é a campanha eleitoral do PT. Participam dela o PSOL e o PCdoB, além de Renan Calheiros, Eunício de Oliveira e outros burgueses. O projeto do PT é um projeto capitalista, muito parecido com o que aplicou por 14 anos no governo, e deu no que deu. O PSOL é puxadinho do PT, bem como Marina é puxadinho do PSDB.

A briga entre os diferentes campos burgueses reflete o grau de crise em que o país está mergulhado. Todos eles – uns mais, outros menos –, se forem governo, jogarão a crise sobre as costas dos trabalhadores. A classe trabalhadora não pode continuar refém de falsas escolhas e do mal menor, que é o que a candidatura Lula encarna.

Não é possível mudar o país governando para banqueiros, multinacionais e grandes empresários nacionais, como Odebrecht, Bradesco, CSN, OAS, JBS, Itaú, Globo, Votorantim. Somadas, são as 31 famílias brasileiras sócias-menores das multinacionais. São todos superexploradores da classe trabalhadora brasileira. Chega de escolher entre quem entrega 80% ou 60% das riquezas do país, ou entre quem faz reforma trabalhista 100% ou 90%, ou quem faz reforma da Previdência 90% e 80%.

A classe operária, os trabalhadores, o povo pobre e todos seus setores oprimidos, negros, imigrantes, mulheres e LGBTs, devem se rebelar. Inclusive os pequenos proprietários que também são sufocados por esses monopólios devem unir-se aos trabalhadores. Vamos mudar esse país! Nós somos a enorme maioria.

Para mudar, contudo, é preciso fazer uma rebelião. Uma revolução social para que os de baixo derrubem os de cima. Será preciso um projeto que acabe com a desigualdade social, com o desemprego, com a violência e com a exploração e que garanta o fim do racismo, da lgbtfobia e do machismo.

A burguesia, a mídia e as regras eleitorais jogam a campanha de Vera e Hertz e das nossas candidaturas nos estados para a invisibilidade. Apesar disso, essa será uma campanha revolucionária, feita não só pelos militantes do PSTU, mas também por inúmeros militantes socialistas e revolucionários que estarão nas fábricas, na periferia, nos bairros pobres, nas escolas, nos bancos, no comércio, no campo e em qualquer local de trabalho, estudo ou moradia dos trabalhadores, dos oprimidos (indígenas, quilombolas, do hip hop e dos slams, da juventude), nas lutas da classe trabalhadora, organizando os de baixo para derrubar os de cima. Vamos apresentar um projeto socialista e defender uma rebelião!

10 de agosto é dia unificado de luta com manifestações e paralisações

No segundo semestre, importantes categorias estarão em campanha salarial, e o governo e os patrões querem fazer avançar a aplicação da reforma trabalhista, a demolição de direitos e as privatizações.

Foi convocado para o dia 10 de agosto um dia nacional de paralisação e manifestações, que terá mobilizações em todo o país. Segundo a CSP-Conlutas, este dia está sendo convocado unitariamente por todas as centrais e será um importante dia de luta. Metalúrgicos, rodoviários, metroviários, professores, servidores públicos, papeleiros, petroleiros, bancários, são algumas das categorias que estão envolvidas nessa luta, além dos movimentos populares.

Plenárias estão acontecendo nos estados para organizar as lutas e os protestos deste dia.

Além disso, quando fechávamos esta edição, os professores anunciavam o dia 2 de agosto como Dia de Luta em Defesa da Educação, também preparatório para o dia 10, insurgindo-se contra o projeto do governo federal que prevê mudanças drásticas nas bases curriculares do ensino básico, conhecidas como BNCC. O projeto prevê uma série de medias que retiram direitos, demissão de professores e privatização da educação pública, mesmo sendo inconstitucional.

CONTRIBUA com uma campanha independente, operária e socialista