Editorial: 14 de junho vamos parar o Brasil!

Contra a reforma da Previdência, em defesa do emprego e da Educação

A reforma da Previdência de Bolsonaro é ainda pior que a de Temer. Ao contrário do que diz a campanha do governo e da mídia, atinge principalmente os mais pobres; 83% do R$ 1 trilhão que eles querem tirar dos de baixo para dar aos banqueiros vêm do Regime Geral da Previdência, dos que ganham de R$ 998 a R$ 5.839, que é o teto das aposentadorias do INSS.

O presidente vai ter uma aposentadoria de quase R$ 70 mil, muito acima do teto do INSS. Ele não será afetado, nem os juízes, nem os deputados e senadores, nem a cúpula dos militares, que vão ficar fora da reforma e ainda vão ganhar um baita aumento.

Antes da eleição, Bolsonaro chegou a dizer que a idade mínima de 65 anos era “falta de humanidade”, que os problemas das contas públicas não tinham nada a ver com a Previdência e que jamais atuaria para levar miséria aos aposentados. Agora, disse que errou quando afirmou isso. A verdade é que esse governo é dos banqueiros e, agora, quer tirar R$ 1 trilhão dos pobres para dar aos ricos. O resto é fake news.

Como a reforma é impopular, os capitalistas, os banqueiros e os verdadeiros privilegiados mentem e dizem que, caso não seja aprovada, o país quebra e os aposentados vão ficar sem receber. Já com a reforma, vai ter crescimento e milhões de empregos. Diziam o mesmo com a reforma trabalhista, lembra? A verdade é que, caso a reforma seja aprovada, o país vai ficar ainda mais pobre e vamos trabalhar até morrer.

Mesmo com essa propaganda massiva, não conseguem convencer a maioria dos trabalhadores de que a reforma é justa e necessária. Trabalhador não é bobo, sabe fazer conta e, quando é informado sobre o que é a reforma, sabe que deve derrotá-la. É por isso que a greve geral no 14J vai parar o Brasil.

Defender Bolsonaro, as reformas e a ditadura não é defender o Brasil
A economia brasileira continua no fundo do poço, e o desemprego, nas alturas. A crise também divide os de cima, que estão unidos quando o assunto é atacar os de baixo e fazer a reforma da Previdência, mas entre eles o papo é sempre “o meu pirão primeiro”. Isso também dá um bate-cabeça político e uma brigaiada nas alturas. Nessa, a nossa mobilização e a greve geral podem derrotá-los.

O governo Bolsonaro viveu um inferno astral há pouco tempo. Avançaram as investigações contra seu filho e o assessor Fabrício Queiroz, a crise se aprofundou e a popularidade caiu, tanto que já não é aprovado pela maioria. Para completar, as manifestações de massas do 15M sacudiram o coreto.

Para tentar estancar o ritmo da queda de sua popularidade, que poderia dar no “Fora Bolsonaro-Mourão”, o governo resolveu chamar uma manifestação originalmente deslocando para o Congresso e o STF a responsabilidade pela crise e pedindo implicitamente poderes ditatoriais. Isso rachou a própria direita que o apoiou na eleição. No decorrer da convocatória, foram baixando o tom e mudando as reivindicações para “apoio à reforma da Previdência”, ao “pacote do Moro” e “contra o Centrão”.

As manifestações do dia 26, embora não tenham sido um fiasco total, foram muito menores do que o 15M. Foi maior do que o “bolsonarismo raiz”, mas bem menor do que reunia Bolsonaro antes das eleições. Refletiu, na verdade, o que indicam as pesquisas. Bolsonaro já não tem o apoio da maioria, mas ainda não se desmilinguiu. Os atos do dia 26 não mudaram grandes coisas, apenas mostraram que o governo ainda não chegou à ingovernabilidade. De qualquer forma, em ritmo maior ou menor, sua popularidade vai caindo.

Saíram falando depois num pacto entre Executivo, Legislativo e STF para aprovar a reforma da Previdência, entregar as estatais e outros ataques aos trabalhadores e à soberania do país. É improvável que consigam um pacto que acabe com a crise entre eles. Mas eles todos, tanto a ala pró-ditadura quanto a que defende a democracia dos ricos, defendem a reforma, porque todos representam os banqueiros e os grandes empresários.

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), defendeu a manifestação do dia 26 dizendo que ela era verde e amarela, em defesa do Brasil. Por isso, deveria ser escutada. Já a do dia 15 de março não deveria ser escutada, porque não era verde e amarela e não representaria o Brasil. Ora, o governo do general Heleno, de Bolsonaro e Guedes, é um dos mais antinacionais de toda a história do Brasil. Um governo que entrega a Embraer à Boeing em troca de nada e joga fora toda a tecnologia que o país domina, que quer entregar para o capital internacional a maioria das refinarias da Petrobras, a Amazônia e o subsolo ao capital estrangeiro, não defende o Brasil. Representa uma minoria que flerta com ditadura, autoritarismo e tortura e bate continência para a bandeira dos EUA. De nacionalismo não tem nada.

Os trabalhadores, o povo pobre, os estudantes, os professores vão defender as aposentadorias, o emprego, a Educação e a soberania do país contra esse governo. É preciso derrotar o plano econômico de Bolsonaro-Guedes-Mourão.