Direção preparou um fórum burocrático e governista

Realizado em Belo Horizonte (MG), entre 6 e 9 de novembro, com o lema “Outro mundo é possível. Outro Brasil é necessário”, o Fórum Social Brasileiro reuniu cerca de dez mil pessoas.

Sintonizado com as diretrizes da direção do Fórum Social Mundial, o fórum brasileiro foi montado para reafirmar a mesma estratégia deste: uma política de “humanização” do capitalismo pela via reformista. Diferente, entretanto, das edições anteriores do Fórum Social Mundial, realizadas em Porto Alegre, com uma postura de oposição ao neoliberalismo e seus governos, o fórum brasileiro – após dez meses de governo Lula – veio para aglutinar os movimentos sociais em apoio ao governo, com algumas críticas, mas para se firmar como um fórum governista e convencer os movimentos sociais a não deixarem seu descontentamento se chocar com o governo, tido como “em disputa” e “aliado para mudar o país”.

Ao mesmo tempo, buscava manter um perfil mais antiimperialista, sem no entanto confrontar-se com o agente do imperialismo no país: o governo Lula. De outra parte, ganharam mais peso na sua coordenação correntes como o PCdoB, imprimindo um curso muito mais antidemocrático, burocrático e truculento na sua condução, como é próprio do stalinismo.

O PCdoB tentou inviabilizar a realização das atividades do PSTU no Fórum, vetar suas tendas etc. O boicote – ainda que menos explícito – não ficou restrito ao PSTU, sobrou para todos que fossem mais críticos.

A contradição dos governistas, que dizem que o governo “está em disputa” e é aliado do movimento – além dos dez meses de governo – foi que o fórum aconteceu sob a égide da renovação do acordo com o FMI pelo governo Lula.

Embora a maioria dos presentes ainda não tivesse de fato rompido definitivamente com o governo, estava anos-luz mais descontente e crítica do que o PCdoB, a direção da CUT, da UNE e do próprio MST.

Isso se evidenciou já na primeira Conferência, quando Sandra Quintella, da Campanha contra a Alca, defendeu de modo contundente a ruptura das negociações, ao contrário de Luís Fernandes, do PCdoB, que defendeu também de modo contundente a participação do Brasil nas negociações e a política do governo aí.

Já o descontentamento com o burocratismo do PCdoB era generalizado. E foi fundamental a atitude dos companheiros do comitê mineiro do Fórum, que, como parte da coordenação nacional, junto com companheiros da Fenajufe, da Campanha contra a Alca e outros, impuseram uma vitória da democracia e garantiram a inclusão de Valério Arcary, do PSTU, na mesa da última Conferência do FSB.

O PSTU teve uma participação destacada e vitoriosa no Fórum Social Brasileiro, como voz combativa de oposição pela esquerda ao governo Lula e sua política pró-imperialista.
Post author Mariúcha Fontana,
da redação
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