Direção dos Correios continua intransigente e insiste em desconto dos dias parados

Trabalhadores dos Correios acompanham reunião no TST
Agência Brasil

Trabalhadores continuam em greve e prometem grande ato em Brasília no próximo dia 11, quando ocorre o julgamento do dissídio no TSTMesmo após 25 dias de greve, o governo e a direção da empresa continuam intransigentes e insistem em descontar os dias parados dos trabalhadores. Na segunda audiência de conciliação realizada no Tribunal Superior do Trabalho nesse dia 7 em Brasília, a empresa reiterou sua intenção de manter os cortes e ainda retrocedeu na proposta apresentada na primeira audiência. Já o presidente do TST, o ministro João Orestes Dalazen, lamentavelmente se limitou a reapresentar a proposta já rechaçada pelas assembleias. Como não houve acordo, o tribunal marcou o julgamento do dissídio para o próximo dia 11, terça-feira.

O governo, além de se recusar a negociar com os grevistas e não abrir mão do desconto dos dias parados, ainda conseguiu na Justiça a exigência de que 40% dos trabalhadores continuem atuando nas agências dos Correios. Ao mesmo tempo, aposta na desinformação para desmobilizar a greve, afirmando que 80% da empresa funciona normalmente. A greve, no entanto, ao contrário do que diz o governo continua forte em todo o país, o que se expressa até mesmo no próprio dado divulgado pela empresa, de 160 milhões de correspondências não entregues. A truculência só aumenta a indignação e disposição de luta dos funcionários da estatal. Mesmo sem a conclusão das negociações, o governo já descontou sete dias dos trabalhadores parados.

“Não vamos aceitar essa exigência da Justiça que é um claro ataque ao direito de greve. Vamos manter a greve forte, pois temos a compreensão de que só assim poderemos conquistar nossas reivindicações” afirma Geraldo Rodrigues, o Geraldinho, membro da FNTC (Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios, oposição da Fentect) e da CSP-Conlutas. “Precisamos preparar caravanas para Brasília, no próximo dia 11, para pressionar o governo e a Justiça, quando ocorre o julgamento do dissídio” disse.

Rebelião de base
Essa greve dos Correios está sendo marcada por uma forte radicalização da base dos trabalhadores da estatal, que passou por cima da direção da Fentect (CUT e CTB) na última rodada de assembleias do dia 5 e manteve a greve. O principal entrave nas negociações e no repúdio dos trabalhadores foi a insistência da direçaõ da empresa em cortar os dias parados. O governo avalia que o desconto vai intimidar futuras greves e por isso não abre mão da medida.

Na primeira audiência do TST, dia 4, a empresa celebrou uma proposta de acordo com 5 dos 7 membros do Comando Nacional de Greve, que mantinha o desconto dos dias parados, parte como desconto em folha em 2012 e parte com trabalho extra. Dois membros do Comando, porém, José Gonçalves de Almeida, o ‘Jacó’, da FNTC e Evandro Leonir da Silva, do MRL (corrente do Rio Grande do Sul) rejeitaram a proposta e orientaram os sindicatos a votarem a continuidade da greve. No dia seguinte, mesmo com a maioria da Fentect orientando a aprovação do acordo, ele foi rejeitado pelos 35 sindicatos da federação, numa histórica rebelião de base.

Dilma orientou não reajuste de trabalhadores das estatais
Por trás da intransigência por parte dos Correios, e também da dificuldade dos bancários dos bancos públicos ou dos técnicos das universidades federais em greve em negociar, está a determinação direta da presidente Dilma para que os servidores não tenham reajuste real este ano, no máximo a reposição da inflação. Segundo reportagem do jornal Correio Braziliense desse dia 7, a ministra do Planejamento Miriam Belchior foi encarregada de avisar os presidentes e diretores de estatais como Banco do Brasil, Petrobrás, Caixa Econômica, além dos Correios, de que não deveriam conceder aumento real.

O governo utiliza como justificativa para a linha dura nas negociações o ajuste fiscal implementado desde o início do ano, que já cortou R$ 60 bilhões, e a volta da inflação. Não explica, por outro lado, os subsídios e isenções recentemente concedidos à indústria, que terão impacto de R$2,5 bilhões no Orçamento Federal, ou a medida anunciada pelo ministro Guido Mantega, de baixar o compulsório aos bancos caso a crise se agrave, o que representará algumas centenas de bilhões a mais para os cofres das instituições financeiras. Esses são os dois pesos e as duas medidas do governo.

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