Dia Internacional da Mulher: uma comemoração Combativa, internacional e socialista

“O dia da mulher ou dia da mulher trabalhadora é um dia de solidariedade internacional e um dia para relembrar a força e a organização da mulher proletária”, escreveu Alexandra Kollontai, revolucionária russa, em 1920A revolucionária alemã Clara Zetkin propôs em 1910, na Segunda Conferência Internacional da Mulher Trabalhadora, que o dia 8 de Março fosse celebrado em todos os países, como meio de lutar pela conquista de direitos das mulheres trabalhadoras e reafirmar a força da organização das proletárias sob a bandeira socialista. Em 2007, não será diferente. O governo Lula, lamentavelmente, continua tentando impor reformas que aprofundarão o estado de miséria e precariedade da classe trabalhadora, além de seguir fielmente as ordens do governo americano, chefiando a bárbara ocupação no Haiti.

Neste ano, há um motivo a mais para lutar no dia 8: o presidente norte-americano, George W. Bush, estará no Brasil. Ele é hoje o maior símbolo do imperialismo mundial, o senhor da guerra e maior responsável pela morte, pobreza e miséria de mulheres e homens trabalhadores em todo o mundo.

A necessidade do 8 de Março
Tem-se dito que o século 20 foi o século das mulheres. Afirmada por historiadores, políticos ou mesmo ativistas de diversas áreas, esta constatação é justificada por conquistas alcançadas no século passado: a afirmação das mulheres na sociedade, seu ganho de autonomia e aumento da participação no mercado de trabalho e na política. Em outras palavras, diz-se que a mulher “ocupou seu lugar na sociedade”. No entanto, ao observar os dados da realidade, percebe-se que isso é uma mentira.

De fato, com muita luta, as mulheres conseguiram avanços e ampliação de direitos. No entanto, com a crise do capitalismo e a resposta através de violentas políticas neoliberais implementadas em todo o mundo, houve um aumento brutal do desemprego para todos e do subemprego para as mulheres, contratadas no lugar de homens com metade dos salários destes, fenômeno conhecido como “feminização” da mão-de-obra. Além disso, os direitos históricos que as mulheres conquistaram estão sempre ameaçados pela busca insaciável pelo lucro do capitalismo.

É verdade que as mulheres constituem, aproximadamente, 40% de todos os trabalhadores do planeta. Essa participação, entretanto, não está acompanhada de uma emancipação socioeconômica. Não existe igualdade de remuneração por um trabalho de igual valor, mesmo em ocupações “tipicamente femininas”, como enfermagem e magistério.

Conforme relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), as mulheres empregam o dobro ou uma proporção maior do seu tempo em trabalhos não-remunerados. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), o desemprego das mulheres em 2003 foi superior ao dos homens em todo o mundo, fazendo com que 77,8 milhões das mulheres que estavam dispostas e buscavam trabalho ficassem sem emprego.

O “espaço ocupado pelas mulheres” também pode ser visto no direito à saúde reprodutiva. Só no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a cada duas horas morre uma mulher por complicações na gravidez, no parto e no pós-parto.

No caso das trabalhadoras brasileiras, o governo Lula começa o segundo mandato anunciando uma segunda reforma da Previdência. Entre outras medidas, a nova reforma propõe aumentar a idade mínima de aposentadoria das mulheres para 65 anos, ignorando a dupla jornada de trabalho e se utilizando do argumento de que aumentou a expectativa de vida das brasileiras. Vale lembrar que no Brasil a expectativa de vida das mulheres está em torno dos 72 anos. No caso das negras – 40,7% das mulheres –, é inferior a 50 anos.

Sem creches onde as mulheres possam deixar seus filhos; sem a descriminalização e legalização do aborto para que elas tenham o direito de decidir sobre o seu próprio corpo; sem direitos trabalhistas e com salários insuficientes para o sustento seu e de sua família; com assédio sexual e moral, numa sociedade capitalista e patriarcal, dizer que as mulheres conquistaram sua emancipação e liberdade é não falar a verdade para elas.

Organização e luta
Mais de metade das mulheres trabalhadoras no Brasil já sofrem com a combinação de desemprego, informa¬lidade, precarização e con¬se¬qüen¬te inviabilização das suas possibilidades de organização política e sindical. Isso é resultado da imposição da política neoliberal implementada pelos governos de turno, hoje representada pelo governo Lula que, infelizmente, conta com o aval e a cumplicidade de centrais sindicais como a CUT e a Força Sindical. Lado a lado, fazem o serviço completo para a burguesia e o imperialismo. A pretensão para o próximo período é legalizar e aprofundar os ataques que nossa classe vem sofrendo ao longo dos anos.

A única saída, neste momento, é reorganizar o movimento dos trabalhadores. Isso inclui, necessariamente, organizar as mulheres respondendo às suas necessidades específicas que surgem dos vários papéis que estas cumprem como trabalhadoras, militantes, mulheres e mães.

A luta contra as reformas se faz com uma organização independente dos patrões e o fortalecimento das nossas organizações sindicais. Daí a importância da construção da Conlutas e do Grupo de Trabalho de Mulheres e GLBT, assim como a construção das secretarias de mulheres em nossos sindicatos.

Em São Paulo, está sendo preparado um Bloco Classista e Feminista para o 8 de Março no interior da passeada da Marcha Mundial de Mulheres.

Este bloco trará as bandeiras históricas das mulheres – salário igual para trabalho igual, creches, legalização do aborto, casas abrigo para as mulheres que sofrem violência doméstica, etc. – e terá como chamada “Fora Bush do Iraque e Lula do Haiti! Contra as reformas neoliberais de Lula e de Serra!”. O bloco deverá resgatar o significado do 8 de Março enquanto comemoração combativa e internacional, gritando, com todo o entusiasmo, que Bush saia do Brasil e da América Latina e retire suas tropas do Iraque. Da mesma forma, é necessário exigir que Lula não obedeça mais as ordens do governo americano ao chefiar a ocupação no Haiti, impor as reformas pouco a pouco e aprofundar o estado de miséria dos brasileiros.

CONFIRA O CALENDÁRIO DE ATIVIDADES PARA O DIA 8 DE MARÇO
São Paulo
Concentração na Praça Osvaldo Cruz, a partir das 15h, com saída em passeata para o MASP

Rio de Janeiro
Concentração no Buraco do Lume, a partir das 13h, com atividade e saída em passeata às 16h

Recife
Concentração na Praça Osvaldo Cruz, às 14h, com passeata até o Palácio do Governo

Belo Horizonte
Concentração na Praça da Estação, às 13h, com passeata até o Palácio da Liberdade

Campinas (SP)
Participação do ato unificado do Estado de São Paulo
Dia 10: concentração na Catedral às 10h, com passeata até o Largo do Pará
Post author Ana Minutti e Carol Rodrigues,
da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU
Publication Date