Dia de “luta” da CUT e da Força negocia retirada de direitos

A Conlutas, ao contrário, faz mobilização pela redução da jornada sem retirada de direitos e promove maior ato do dia 28O chamado dia nacional de luta da CUT, da Força Sindical e da CTB (dirigida pelo PCdoB) foi uma soma de manifestações totalmente controladas. O objetivo foi evitar qualquer possibilidade de que uma mobilização escapasse ao controle dessas centrais pelegas e governistas.

Trata-se de centrais que ainda têm maioria entre os trabalhadores, com enorme peso no aparelho do Estado. Se quisessem, poderiam planejar uma mobilização nacional que terminasse em uma greve geral. No entanto, fizeram somente panfletagens em grande parte do país, com alguns atos públicos reduzidos em São Paulo e uma paralisação de três horas das montadoras de automóveis no ABC Paulista.

Os maiores exemplos do que esses pelegos propõem ocorreram no ABC e em São Paulo, onde eles têm mais força. No ABC, mesmo em mobilizações parciais de um só dia, existe uma tradição de parar as montadoras e ocupar a rodovia Anchieta. Isso causa um impacto político razoável. O problema é que, para isso, seria necessário parar por pelo menos um dia inteiro, porque os operários não retornam para as fábricas. E as montadoras, que apóiam (ou deixam correr) essa “campanha”, não querem perder nem um dia de trabalho para não atrapalhar o pique da produção de automóveis. Por isso, os pelegos da CUT determinaram que a paralisação seria de três horas e que não haveria a tradicional passeata.

Mais incrível ainda é que nas montadoras a jornada de trabalho já é de 40 horas, o “objetivo maior da campanha” das centrais pelegas. E a burocracia sindical não mobilizou as empresas médias, cujos trabalhadores poderiam ter algum benefício com as 40 horas.

Além disso, a jornada de 40 horas, ao ser associada ao banco de horas, não traz nenhum benefício para os trabalhadores. Na Volkswagen, na Ford, na Mercedes e na Scania, oficialmente se trabalha 40 horas. Na realidade, as empresas determinam quantas horas os trabalhadores fazem por semana. A média de horas trabalhadas nas montadoras é de 55 horas por semana, na maioria das vezes sem pagamento por essas horas extras.

Posando para as câmeras
Em São Paulo, a principal atividade da Força Sindical (com apoio da CUT e da CTB) foi na nova ponte estaiada, bem perto da sede da Rede Globo, para que pudesse ser notícia nacional (como foi). Reuniu cerca de 800 pessoas (anunciaram 5.000), entre delegados sindicais e outras pessoas escolhidas pela direção do sindicato e liberadas pelos patrões para ir ao ato. O movimento serviu principalmente para fazer a defesa de Paulo Pereira, deputado e presidente da Força Sindical, investigado pela Polícia Federal por desvio de verbas do BNDES.

Essa mobilização controlada tem uma explicação. Não se trata de uma luta real contra os patrões e o governo, mas de uma campanha com os representantes dos patrões – Fiesp e CNI – e o governo com o objetivo de negociar a redução da jornada para 40 horas em troca do banco de horas. Isso já foi feito nas montadoras, e agora querem estender ao resto do país.

Além disso, está sendo negociada a redução dos gastos das empresas nas folhas de pagamento, com a retirada dos gastos com a Previdência.

Um papel lamentável nessa campanha está sendo cumprido pelo PCdoB e pela central que esse partido dirige, a CTB. Na véspera do dia 28, o PCdoB anunciou a possibilidade de uma greve geral em sua página na internet (“Vermelho”), como forma de tratar pela esquerda uma mobilização rebaixada.

No dia seguinte, tiveram que reconhecer que “apenas a CTB expressou nos carros de som a possibilidade de uma greve geral”. Mas o PCdoB cumpriu bem seu papel no ato, se somando à defesa do corrupto Paulinho, da Força Sindical.
Post author
Publication Date